TRANSTORNOS
DE LINGUAGEM
INTRODUÇÃO
Partindo-se do pressuposto
de que a principal ferramenta para o ser
humano interagir com o mundo e formar vínculos
é a linguagem, conclui-se que dificuldades
nos campos social e intelectual podem emergir
caso exista algum problema no processo de
desenvolvimento da linguagem do indivíduo.
Tais dificuldades são identificadas
por baixo rendimento acadêmico, isolamento
social ou retardo no desenvolvimento cognitivo,
que por sua vez, acabam sendo responsáveis
por prejuízos no desenvolvimento
psicológico da criança, podendo
gerar transtornos de conduta ou emocionais
significativos. Dessa forma, vários
casos de Transtornos de Linguagem são
assistidos tanto pelo fonoaudiólogo
quanto pelo psicólogo e/ou outros
profissionais. 1
O
QUE SÃO OS TRANSTORNOS DE LINGUAGEM?
Entende-se por Transtornos
de Linguagem os quadros que apresentam desvios
nos padrões normais de aquisição
da linguagem desde suas etapas iniciais.
Entretanto, crianças normais variam
amplamente na idade na qual elas iniciam
a aquisição da linguagem falada
e no ritmo no qual as habilidades de linguagem
se tornam firmemente estabelecidas.
2
Existem diferentes tipos
de Transtornos de Linguagem, embora seja
freqüente a presença de comorbidades,
tanto entre si, como entre transtornos psicológicos.
Sendo assim, muitas crianças que
apresentam atrasos na aquisição
da linguagem, possuem dificuldades de leitura
e escrita, e também problemas nos
relacionamentos interpessoais, que levam
respectivamente, a um rendimento escolar
deficiente e a possíveis transtornos
da esfera emocional e de comportamento.
1, 2
Embora a criança
que apresenta algum quadro de Transtorno
de Linguagem seja capaz de se comunicar
melhor em situações que lhe
sejam familiares, o comprometimento da linguagem
existe em qualquer situação.
2
QUAIS
SÃO AS SUAS CAUSAS?
As etiologias das alterações
da linguagem e da fala podem envolver aspectos
genéticos, degenerativos, lesionais,
ambientais e/ou emocionais. Alguns autores
classificam os transtornos com base em dois
tipos de fatores que podem alterar e incidir
desfavoravelmente na evolução
da comunicação e da linguagem:
fatores orgânicos, sejam eles genéticos,
neurológicos ou anatômicos
e fatores emocionais. Entretanto, outros
autores consideram que a diferenciação
entre os transtornos de etiologia orgânica
e psicológica pode resultar mais
útil no adulto, embora ambos os tipos
de fatores devam ser considerados de forma
integrada. Na criança essa diferenciação
está ultrapassada, já que
o efeito de qualquer fator orgânico
ou psicológico tem repercussões
sobre o conjunto de processos de ordem psicológica
que constituem a aquisição
e o desenvolvimento da linguagem. 3
TIPOS
DE TRANTORNOS DE LINGUAGEM
Os transtornos que interferem
na comunicação do indivíduo,
podem estar relacionados à fala,
à linguagem, à audição
ou à voz.
Dislalia
Normalmente até
os 6 anos de idade, a maioria dos sons da
fala já está adquirida. A
dislalia ou transtorno específico
de articulação da fala corre
quando a aquisição dos sons
da fala pala criança está
atrasada ou desviada, levando a:
- má articulação
e conseqüente dificuldade para que
os outros a entendam;
- omissões, distorções
ou substituições dos sons
da fala;
- inconsistência na coocorrência
de sons (isto é, a criança
pode produzir fonemas corretamente em
algumas posições nas palavras,
mas não em outras). 2
A gravidade do distúrbio
articulatório varia de pouco ou nenhum
efeito sobre a inteligibilidade da fala
até uma fala completamente ininteligível,
embora mesmo nestes casos, as pessoas da
família compreendam o que a criança
quer expressar.
Existem vários fatores
etiológicos, além dos aspectos
que favorecem indiretamente a existência
e manutenção da alteração,
como 3:
- permanência de esquemas de articulação
infantis;
- déficit na discriminação
auditiva;
- déficit na orientação
do ato motor da língua;
Alterações
na respiração, inadequação
da mastigação e deglutição,
hábitos orais inadequados (uso prolongado
da chupeta e mamadeira, onicofagia e sucção
de dedo), podem causar prejuízos
anatômicos e funcionais no sistema
orofacial da criança, alterando os
movimentos adequados e necessários
para a produção correta dos
fonemas.
Diversas classificações
são encontradas para o distúrbio
articulatório, entretanto, a classificação
abaixo é bastante esclarecedora:
- Dislalias fonológicas: os mecanismos
de conceitualização dos
sons e as relações entre
significantes e significados estão
afetados, os sons não se organizam
em sistemas e não existe uma forma
apropriada de usá-los em um contexto;
- Dislalias fonéticas: determinadas
por processos fisiológicos, de
realização articulatória
com traços característicos
de incoordenação motora
e/ou insensibilidade orgânica. 4
Existem alterações
articulatórias nos casos de disartrias,
entretanto estas são ocasionadas
por danos cerebrais.
Disfemia
A disfemia é conhecida
pela dificuldade em manter a fluência
da expressão verbal, é um
transtorno de fluência da palavra,
que se caracteriza por uma expressão
verbal interrompida em seu ritmo, de maneira
mais ou menos brusca.3 O tipo
mais comum de disfemia é a gagueira,
também chamada de tartamudez. 1
A tartamudez se caracteriza
pela interrupção da fluência
verbal, por meio de repetições
ou prolongamento dos sons, sílabas
ou palavras. Freqüentemente, ela vem
acompanhada de movimentos corporais, como
balançar os braços e as mãos,
piscar os olhos ou tremor labial, na tentativa
de superar o bloqueio da fala.1, 5,
6, 7, 8 Observa-se que
a freqüência e a intensidade
da gagueira estão associadas ao estado
emocional do indivíduo.
Muitas crianças
apresentam uma disfluência, também
chamada gagueira fisiológica, entre
os dois e cinco anos de idade, o que é
considerado normal, visto que o desenvolvimento
e a aquisição da linguagem
se dão de forma intensa nesse período.
A criança apresenta uma fala vacilante,
repetições de vocábulos,
semelhantes ao gaguejar, mas assim como
a disfluência aparece, com o desenvolvimento
da criança ela cessa. Recomenda-se
não chamar a atenção
da criança a respeito desse comportamento,
nem corrigi-la ou completar frases e palavras
por ela. Nessa fase pais e professores necessitam
paciência e a espera para que a criança
possa voltar a falar com ritmo normal. A
procura por um tratamento só deve
ser feita se a disfluência permanecer
após essa fase. 7, 8
Não se reconhece
uma etiologia única para a gagueira,
e as formas terapêuticas e abordagens
de tratamento são variadas, visando
em alguns casos uma melhor adaptação
social e emocional, passando pelo enfrentamento
de situações de exposição
verbal, pela diminuição da
ansiedade e o aumento da auto-estima.
Afasia
As afasias compreendem
os transtornos de linguagem causados por
uma lesão cerebral, ocorrida após
a aquisição total da linguagem
ou durante seu processo. Existem diferentes
tipo de afasias, porém elas são
definidas de acordo com o local lesionado.
1
Independente do local da
lesão, a afasia é vista como
um transtorno de linguagem no qual existe
uma perda parcial ou total da capacidade
de expressão dos pensamentos por
sinais e da compreensão dos mesmos.
Assim, entende-se que a afasia é
a incapacidade de compreender a palavra
falada, de leitura e escrita, embora essas
últimas se apresentem em graus variáveis.
6
Disfonias
Embora não estejam
incluídas nos transtornos de linguagem,
as disfonias implicam as alterações
na qualidade da voz ou em sua emissão,
conseqüente de distúrbios orgânicos
ou funcionais das cordas vocais ou ainda
por uma respiração incorreta.
6 A disfonia pode se apresentar
através da rouquidão, soprosidade
ou aspereza da voz.
As circunstâncias
afetivas, emocionais, os fatores culturais
e estéticos, a idade, o sexo, as
exigências e autovalorização
da própria voz são fatores
que influem diretamente na avaliação
da patologia da vocal 3.
As disfonias podem ser
causadas por alterações orgânicas,
desarmonia ou incoordenação
dos músculos respiratórios,
laríngeos e das cavidades de ressonância,
principalmente geradas pelo mau uso ou abuso
vocal. O otorrinolaringologista deve ser
o médico que fará exames clínicos
para diagnóstico juntamente com o
fonoaudiólogo que atuará na
reabilitação vocal.
REFERÊNCIAS
BIBLIOGRÁFICA
1 ARDOUIN, J., BUSTOS,
C., GAYÓ, R., JARPA, M. Transtornos
del lenguaje en la infancia , 2000 http://www.udec.cl/~ivalfaro/apsique/des/traslen.html
2 ORGANIZAÇÃO MUNDIAL DE SAÚDE.
Classificação de transtornos
mentais e de comportamento da CID-10: descrições
clínicas e diretrizes diagnósticas.
Porto Alegre: Artes Médicas, 1993.
351 p.
3 CASANOVA, J. P. e col. Manual de Fonoaudiologia.
Porto Alegre: artes Médicas, 1992.
4 ISSLER, S. Articulação e
Linguagem. Antares, 1983.
5 http://www.geocities.com/HotSprings/Sauna/6119/transtornos.htm
7
http://ascha.org/speech/disabilities/stuttering.cfm
8 http://www.psicologoinfanti.com/translengu.htm
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