DEPENDÊNCIA
QUÍMICA
INTRODUÇÃO
O
relato sobre o uso de drogas pela humanidade,
remonta os tempos mais remotos, embora o
principal objetivo de sua utilização
fosse o alívio da dor ou servisse
como parte da realização de
rituais de uma determinada cultura. A utilização
de substâncias para alterar o estado
psíquico é conhecida há
mais de 4 mil anos, principalmente pelo
povo egípcio, que àquela época
já relatava o uso de opiáceos
e maconha. A maioria dos medicamentos utilizados
na Antigüidade era originário
de plantas. Assim, a palavra “droga”
é derivada de droog, que em holandês
significa folha seca. 1
A
definição atual de “droga”
utilizada no meio científico é
qualquer substância capaz de trazer
alterações no funcionamento
do organismo de um ser vivo, resultando
em mudanças fisiológicas e
comportamentais, sejam elas nocivas ou medicinais.
2
A
capacidade de alterar os estados mentais
ou psíquicos caracteriza as drogas
conhecidas como psicotrópicas, que
agem no cérebro e provocam mudanças
nas sensações, nos pensamentos
e comportamentos de um indivíduo.
A palavra psicotrópico é originária
de psico (mente) e trópico (atração
por). Vale ressaltar que as alterações
referidas podem ser causadas por qualquer
tipo de droga, porém cada substância
provoca uma reação diferente
no organismo. No entanto, boa parte das
drogas psicotrópicas apresenta uma
forte tendência a causar a dependência
de acordo com a sua utilização.
2
O QUE É A DEPENDÊNCIA QUÍMICA?
Embora
exista uma diversidade de conceituações
de dependência química, todas
elas são unânimes ao afirmar
que a dependência é considerada
uma relação alterada entre
o indivíduo e seu modo de consumir
uma determinada substância. 2
A
dependência química é
uma doença crônica, caracterizada
por comportamentos impulsivos e recorrentes
de utilização de uma determinada
substância para obter a sensação
de bem-estar e de prazer, aliviando sensações
desconfortáveis como ansiedade, tensões,
medos, entre outras. 3
A
dependência química se apresenta
sob duas formas: a dependência física
e psicológica da substância.
A dependência física é
caracterizada pela presença de sintomas
físicos extremamente desagradáveis
que surgem quando o indivíduo interrompe
ou diminui de forma abrupta o uso da droga,
o que constitui na síndrome de abstinência.
Quanto à dependência psicológica,
as principais características compreendem
um intenso estado de mal estar psíquico,
levado por sintomas de ansiedade, depressão,
dificuldades de concentração,
entre outros, a partir do momento em que
o indivíduo pára de ingerir
a droga na freqüência e quantidade
habituais. Nesse caso, o dependente tem
a sensação de ser incapaz
de realizar qualquer atividade cotidiana
sem o consumo da droga, mesmo que não
tenha nenhum sintoma físico característico
da abstinência. 3, 4
Devido
ao avanço médico-científico,
há diversos medicamentos que podem
tratar os sintomas relacionados à
dependência física de maneira
eficaz. Porém, a dependência
psicológica é de maior complexidade
e responsável pela maior parte dos
casos de recaída, apresentando a
necessidade de um tratamento a longo prazo.
3
Segundos
os critérios diagnósticos
do DSM-IV 5 a Dependência de Substância
se apresenta sob os seguintes sintomas:
Um
padrão mal-adaptativo
de uso de substância,
causando prejuízos ou
sofrimento clinicamente significativos,
demonstrados por pelo menos
três dos seguintes critérios,
ocorrendo a qualquer momento
no mesmo período de 12
meses:
1.
Tolerância, definida por
qualquer um dos aspectos:
a. necessidade progressiva de
maiores quantidades da substância
pra atingir o efeito desejado;
b. significativa diminuição
do efeito após o uso
continuado da mesma quantidade
da substância.
2.
Abstinência, manifestada
por qualquer um dos seguintes
aspectos:
a. presença de sintomas
e sinais fisiológicos
e cognitivos desconfortáveis
após a interrupção
do uso da substância ou
diminuição da
quantidade consumida usualmente;
b. consumo da mesma substância
ou outra similar a fim de aliviar
ou evitar os sintomas de abstinência.
3.
Utilização da
substância em quantidades
maiores ou por um período
maior do que o inicialmente
desejado.
4.
O indivíduo expressa
o desejo de reduzir ou controlar
o consumo e a quantidade da
substância ou apresenta
tentativas nesse sentido, porém
mal-sucedidas.
5.
Boa parte do tempo do indivíduo
é gasto na busca e obtenção
da substância, na sua
utilização ou
na recuperação
de seus efeitos.
6.
O repertório de comportamentos
do indivíduo, como atividades
sociais, ocupacionais ou de
lazer do indivíduo encontra-se
extremamente limitado em virtude
do uso da substância.
7.
Embora o indivíduo se
mostre consciente dos problemas
ocasionados, mantidos ou exacerbados
pela substância, sejam
físicos ou psicológicos,
seu consumo não é
interrompido.
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POR QUE OCORRE A DEPENDÊNCIA?
A
dependência química é
entendida como uma doença que envolve
aspectos biopsicossociais, e o curso de
seu tratamento deve procurar oferecer intervenções
nas três áreas para alcançar
maior eficácia e efetividade. 6
Sabe-se
que os seres humanos aplicam seus comportamentos
na busca de prazer. Sendo assim, qualquer
movimento que lhe ofereça uma sensação
de bem-estar, de prazer ou aceitação
social tende a ser repetido. Esse é
o conceito de recompensa que permeia o comportamento
humano. Dessa forma, explica-se o motivo
de muitas pessoas que utilizam drogas tornarem-se
dependentes, pois a substância ingerida
e sua conseqüente ação
no sistema nervoso propiciaram ao indivíduo
sensações prazerosas, ainda
que momentâneas. 7
Aspectos
biológicos
Para sustentar os aspectos neurobiológicos
da dependência, faz-se necessário
mencionar o sistema de recompensa cerebral,
responsável pela principal fonte
de liberação do neurotransmissor
dopamina. Esta substância contido
nos neurônios do segmento ventral,
e cuja liberação ocorre no
núcleo accumbens e na área
pré-frontal é responsável
pelas principais vias do prazer, seja de
modo natural, ou através do uso das
drogas. Todo esse sistema é responsável
pela estimulação prazerosa,
assim explicando parte do processo cerebral
envolvido no uso de drogas. 6, 7
Aspectos
psicológicos
Por causar uma sensação de
bem-estar no indivíduo, o uso de
drogas pode ser erroneamente associado ao
alívio de tensões emocionais
ou preocupações do indivíduo.
4, 6 Dessa forma, entende-se que a droga
é capaz de propiciar um amortecimento
da vivência dos problemas emocionais
da um indivíduo, mantendo-o alheio
das dificuldades que deveria enfrentar na
vida cotidiana. Um exemplo possível,
é o dos indivíduos que apresentam
um quadro de intensa ansiedade, e que para
minimizar as sensações dele
provindas, ingerem álcool todas as
vezes que necessitam enfrentar uma situação
social. Nesse caso, a dependência
química pode e instalar progressivamente
de maneira subjacente à ansiedade.
Aspectos
sociais
Para explicar melhor estes aspectos envolvidos
na dependência química, é
necessário compreender o contexto
social no qual o indivíduo se encontra
inserido. 4, 6 A realidade atual nos mostra
que a disponibilidade da droga faz com que
o álcool, o tabaco e até drogas
mais pesadas, estejam muito próximas
das crianças e adolescentes. O álcool
é comercializado com pouco controle
governamental, tornando-o uma das drogas
de maior acesso pelos adolescentes. Além
da disponibilidade, as camadas menos favorecidas
tem carência de suporte social adequado,
especialmente quanto a educação,
saúde e ao emprego, sabe-se que em
muitas favelas o traficante pode exercer
um papel manipulador, pois é ele
quem passa a oferecer subsídios importantes
no lugar da família ou dos órgãos
governamentais.
Outros
fatores como facilitação da
interação social, a melhora
dos vínculos sociais também
pode ser caracterizada como um fator psico-social
de reforçamento do uso da droga.
A confiança pessoal pode ser fortalecida
enquanto as barreiras ou defesas diminuem.
A intoxicação e a participação
em rituais, como as atuais “raves”,
permitem que os usuários partilhem
suas experiências e sintam-se libertados
das obrigações sociais normais.
O propósito da intoxicação
é retirar-se das responsabilidades
que a sociedade normalmente espera que um
adulto ou adolescente tenha. A droga também
é responsável por promover
a coesão e solidariedade entre membros
de um grupo social: serve como meio de identificação
do grupo e com o grupo.
TIPOS DE DROGAS
E SUA AÇÃO
Ansiolíticos
Anticolinérgicos
Cocaína
Ecstasy
LSD
Anfetaminas
Esteróides anabolizantes
Maconha
Tabaco
Álcool
Opiáceos
Ansiolíticos
Os ansiolíticos, também chamados
tranqüilizantes são medicamentos
capazes de atuar no sistema nervoso sobre
o estado de ansiedade e a tensão,
trazendo ao indivíduo uma sensação
de calma tranqüilizadora. São
medicamentos prescritos a pessoas que sofrem
de ansiedade ou insônia por também
terem efeitos hipnóticos. Porém,
muitas pessoas utilizam os ansiolíticos
de forma indiscriminada e inadequada, sempre
que pensam enfrentar uma situação
que gera ansiedade. Outro grande problema,
é a mistura de ansiolíticos
benzodiazepínicos (o tipo mais comum)
com bebida alcoólica, que pode levar
o indivíduo a graves problemas médicos,
pois o álcool é um depressor
do sistema nervoso central e potencializa
o efeitos dos ansiolíticos. Em longo
prazo, a utilização inadequada
dos ansiolíticos traz prejuízos
nos processos de aprendizagem e memória
do indivíduo, e nas funções
psicomotoras. 3
As
intoxicações agudas por benzodiazepínicos
são encontradas com alguma freqüência
nas salas de emergência. A sedação
é o achado mais comum, mas pode haver
casos de desibinição comportamental,
com agressividade e hostilidade. Tal efeito
é mais comum quando os benzodiazepínicos
são combinado com o álcool,
mas pode aparecer em pacientes idosos ou
com lesões prévias no Sistema
Nervoso Central.
Anticolinérgicos
Os anticolinérgicos podem ser naturais
(encontrado em algumas plantas, como saia
branca, lírio, trombeta de anjo,
etc) ou sintéticos (encontrados em
medicamentos contra o Mal de Parkinson,
cólicas estomacais ou intestinais,
e ainda em colírios para dilatar
a pupila), e em ambos os tipos os efeitos
produzidos são os mesmos. Os efeitos
provocados pelos anticolinérgicos
são os delírios e a alucinações.
Os sintoma e sinais após o seu uso
são pupilas dilatadas e sem reflexos,
visão borrada, boca e narinas secas,
dificuldade respiratória, taquicardia,
diminuição da pressão
sangüínea, e hipertermia. Quando
utilizados a longo prazo, os anticolinérgicos
deixam a pessoa em um permanente estado
de desinteresse e desorientação,
podendo ser explorada por outros, e ainda
prejudicando o seu desempenho acadêmico
ou ocupacional. 2, 3
Cocaína
A cocaína é uma substância
capaz de estimular o sistema nervoso central,
causando aceleração do pensamento,
inquietação psicomotora, aumento
do estado de alerta, inibição
do apetite, perda do medo e sensação
de poder. No entanto, as sensações
agradáveis por ela proporcionada
duram curto período de tempo, e após
seus efeitos, a pessoa pode ser levada a
um estado de depressão, necessitando
de outras doses da droga para ter a sensação
que está saindo deste estado. A cocaína
pode ser aspirada, injetada ou fumada (sob
a forma de crack). Seu uso contínuo
pode levar a sérias complicações
cardiovasculares, respiratórios,
gastrointestinais, perda da capacidade sexual,
entre outros. Quanto aos problemas psicológicos
causados pelo seu uso a longo prazo, estão
a depressão, ansiedade, irritabilidade,
agressividade, dificuldades de concentração,
e sentimentos de perseguição
(paranóia). Quando a dependência
se estabelece, o indivíduo limita
os seus comportamento apenas para a busca
e a utilização da droga, pondo
de lado todas as outras atividades.
A
cocaína e as anfetaminas tem um efeito
específico nas vias dopaminérgicas
mesolímbica e mesocortical, e especialmente
no chamado sistema de recompensa, caracterizado
pelas grandes estruturas: 1) segmento ventral
“VTA” (Ventral Tegment Area),
2) núcleo accumbens, e 3) cortex
pré frontal.
Vias
de administração e complicações
do uso da cocaína
As principais vias de administração
da cocaína são: inalada, injetável
e fumada. Historicamente o abuso de cocaína
envolvia o comportamento de inalar a forma
em pó (sal de hidroclorito). No final
da década de 80 a via injetável
passou a predominar, sendo evidência
deste fato o grande número de usuários
de cocaína injetável serem
pessoas infectadas pelo vírus HIV.
Na década de 90 observou-se o aumento
do uso na forma fumada. Quando a cocaína
é processada na forma de uma pasta
(free base ou crack) ela pode ser fumada,
sendo volatilizada à altas temperaturas
sem nenhuma destruição dos
componentes. A forma fumada leva a droga
ao cérebro de maneira mais rápida
que a inalada, já que a inalação
requer que a cocaína passe da corrente
sangüínea do nariz, para o coração
onde ela será bombeada para os órgãos
do corpo, inclusive para o cérebro.
Entretanto na forma fumada, a droga faz
um atalho passando dos pulmões diretamente
para o coração e para o cérebro.
Quanto mais rápido uma droga com
poder de dependência chega os cérebro,
maior será a chance de ser abusada.
Se por um lado a cocaína injetável
tem como complicação mais
importante a ocorrência de diversas
infecções, por outro lado
a via pulmonar com o crack traz consigo
outras complicações como um
maior potencial de dependência e o
maior apelo a população mais
jovem.
Os
efeitos agudos e crônicos do uso da
cocaína
Um dos principais efeitos da intoxicação
aguda por cocaína é a sensação
de prazer descrita muitas vezes como euforia.
Doses baixas e inicias de estimulantes casam
estimulação dopaminérgica
aguda no centro endógeno do prazer
no cérebro. A sensação
induzida de hiperalerta pode ser confirmada
por eletroencefalograma (EEG) e eletrocardiograma
(ECG). O EEG alterado mostra uma dessicronização
generalizada das ondas cerebrais. Os efeitos
agudos pode ser descritos como:
1) euforia que freqüentemente evolui
para disforia;
2) sensação de energia aumentada;
3) sensação de melhor funcionamento;
4) aumento das percepções
sensoriais (sexuais, auditivas, táteis
e visuais);
5) diminuição do apetite;
6) aumento de ansiedade e suspeição;
7) diminuição da necessidade
de sono;
8) diminuição do cansaço
e fadiga;
9) aumento da auto confiança, egocentrismo;
10) delírios de cunho persecutório;
11) sintomas gerais de descarga simpática
(tonturas, tremor, hiperreflexia, febre,
midríase, sudorese, taquipnéia,
taquicardia, hipertensão). - Se pelo
menos dois destes sinais estão presentes
após uma hora de uso, preenchem critérios
para intoxicação por estimulante.
Os
efeitos patológicos do uso crônico
da cocaína podem ser observados nas
diversas esferas: fisiológica, psicológica
e social/interpessoal.
Quanto
aos efeitos fisiológicos, o uso repetido
de baixas doses de cocaína leva:
1) ao aumento da sensibilidade e potencialização
da atividade motora com reações
exageradas ao susto,
2) discinesia,
3) anormalidades posturais.
Quanto
aos efeitos cardiológicos crônicos
observa-se:
1) taquicardia,
2) hipertensão,
3) vaso constrição da artéria
coronariana com diminuição
do fluxo sanguíneo, gerando um aumento
da incidência de isquemias durante
a abstinência.
4) arritmia,
5) miocardite ou cardiomiopatia relacionada
à catecolamina.
Quanto
aos efeitos no SNC destacam-se:
1) efeito no centro termoregulador podendo
causar hipertermia maligna,
2) diminuição do limiar convulsivo,
3) vasoconstricção cerebral
com aumento de AIT ou AVC,
4) cefaléia vascular migratóriadurante
a abstinência pode ser associada a
desregulação serotoninérgica,
5) atrofia cortical, especialmente nos lobos
frontais e temporais.
Efeitos
pulmonares:
1) tosse crônica com secreção
preta especialmente para os usuários
de estimulantes fumados,
2) edema pulmonar,
3) pneumonia granulomatosa com hipertensão
pulmonar,
4) "pulmão de crack" (dor
toráxica, hemoptise e infiltrado
alveolar difuso)
Efeitos
nasais e na face:
1) inflamação e atrofia da
mucosa nasal,
2) sinusite crônica,
3) necrose e até perfuração
do septo nasal,
4) ulceração de gengiva devido
a aplicação de cocaína
aoral
Efeitos
do uso durante a gravidez:
1) placenta prévia,
2) aborto espontâneo,
3) sofrimento fetal
Com
relação aos efeitos na esfera
psicológica observa-se:
Durante o uso crônico de cocaína,
ou mesmo após uma orgia de consumo
(binge), sintomas depressivos, amotivação,
sonolência, paranóia e irritabilidade
costumam ocorrer. A cocaína pode
induzir ataques de pânico, inclusive
desencadear a Síndrome do Pânico
que persiste mesmo após a interrupção
do uso da droga. Durante os episódios
de “binge” uma psicose tóxica
pode se desenvolver sem que sejam evidenciados
sintomas psicopatológicos prévios
no indivíduo. A fissura (desejo de
repetir o prazer experimentado), juntamente
com os sintomas depressivos de abstinência
da droga (crash) podem levar ao uso repetido
e compulsivo da cocaína. A cocaína
é também conhecida por piorar
a sintomatologia depressiva preexistente,
podendo produzir também uma síndrome
psicótica caracterizada por paranóia,
prejuízo da testagem da realidade,
ansiedade, padrão estereotipado compulsivo
de comportamento e alucinações
vívidas: visuais, auditivas ou táteis.
Observa-se ainda que usuários crônicos
tender a associar a cocaína com drogas
sedativas como álcool para evitar
efeitos estimulantes desagradáveis.
Quanto
a esfera social/interpessoal podemos destacar:
1) maior risco de acidentes devido ao prejuízo
no julgamento e hiperatividade,
2) maior risco de infecções
devido ao uso IV,
3) maior risco de disseminação
de DST
4) atividades criminais,
5) negligência com os filhos,
6) perda da estrutura familiar,
7) perda do produtividade no trabalho.
Ecstasy
É uma substância inicialmente
utilizada como moderador de apetite, porém
atualmente é extensamente usada por
pessoas que freqüentam festas rave
e casas noturnas, e tem a forma de um comprimido.
Seus efeitos agudos compreendem intensa
hipertermia, podendo ir acima de 400 graus
centígrados (o que pode levar a desidratação),
taquicardia e elevação da
pressão arterial, alucinações,
aumento da atividade física e insônia.
Os efeitos causados pelo seu uso a longo
prazo são hepatopatias, cardiopatias,
emagrecimento, transtornos psiquiátricos
e lesão cerebral.
LSD
O LSD, também conhecido como “ácido”,
é uma substância sintética,
ou seja, produzida em laboratório,
capaz de provocar grandes alterações
mentais, causando fortes efeitos alucinógenos
no indivíduo. As alucinações,
em sua maioria, ocorrem na área visual
ou auditiva. Estados de intensa euforia
podem ser intercalados com sentimentos de
medo e tristeza, além da presença
de sentimentos persecutórios. Os
efeitos agudos do uso do LSD são
pupilas dilatadas, aumento da temperatura
corporal e da pressão arterial, taquicardia,
sudorese, perda de apetite, ins6onia, boca
seca, tremores, alteração
na percepção temporo-espacial
e corporal, despersonalização,
sinestesia (mistura de informações
sensoriais, como “ouvir uma cor”,
“ver um som”). Já os
efeitos crônicos se traduzem por fadiga,
tensão, transtornos psiquiátricos
se houver predisposição, “flashbacks”
(fenômeno de causa desconhecida, mas
que leva o usuário a apresentar todos
os sintomas psíquicos de uma experiência
anterior, mesmo sem ter utilizado a droga
novamente), incapacidade de perceber e avaliar
situações de risco. 2, 3
Anfetaminas
As anfetaminas são drogas estimulantes,
que provocam o aumento da atividade cerebral,
apresentando efeitos inibidores da fadiga,
ou seja, a pessoa anda mais, corre mais,
não tem necessidade de sono, fala
mais, come em menor quantidade, etc. Os
efeitos agudos são euforia, aumento
da vigilância e da atividade motora,
melhora do desempenho atlético, taquicardia,
dilatação das pupilas, aumento
da pressão arterial e da temperatura
do corpo, o que pode levar a convulsões.
Os efeitos produzidos pelo uso prolongado
são intensa perda de peso, hipertensão,
agressividade, irritabilidade, sentimentos
persecutórios, tremores, respiração
rápida, desorganização
do pensamento, e repetição
compulsiva de atividades. 3
Esteróides
anabolizantes
Estas são drogas utilizadas para
substituição de testosterona
(hormônio masculino). Os anabolizantes
apresentam dois tipos de efeitos: o anabólico
(aumento do crescimento muscular) e androgênico
(desenvolvimento de características
sexuais masculinas, como crescimento de
pelos, barba, voz grossa, etc.) O uso indevido
dessas drogas em homens provoca a redução
da produção de esperma, impotência
sexual, dificuldades ou dor ao urinar, calvície,
e ginecomastia (crescimento das mamas).
Em mulheres ocorre o engrossamento da voz,
crescimento de pêlos no corpo e na
face, perda de cabelo, diminuição
dos seios. Em adolescentes de ambos os sexos,
sua utilização pode interromper
o crescimento físico. Já em
indivíduos adultos, há o risco
de desenvolvimento de câncer no fígado,
problemas na coagulação do
sangue, colesterol, hipertensão,
ataque cardíaco, acne, oleosidade
da pele e cabelo, aumento da agressividade,
alteração do humor, distração,
problemas de memória. 3
Maconha
A maconha, nome popular da Cannabis sativa,
é uma planta que produz mas de 400
substâncias químicas, entre
elas, o THC ( tetrahidrocanabidol),
Efeitos
agudos e crônicos do uso da maconha
Efeitos agudos:
1. Despersonalização
2. Desrealização
3. Ilusões (visuais/auditivas) transitórias
4. Excitação psicomotora,
euforia
5. Irritabilidade
6. Aumento da sensibilidade aos estímulos
sensoriais, maior percepção
de cores, sons, texturas, paladar, apetite
7. Boca seca
8. Tosse
9. Percepção do tempo mais
lenta
10. Aumento da capacidade de introspecção
11. Aumento da capacidade de ser absorvido
por sensações de conteúdo
sensual, aumento do desejo sexual
12. Sensação de relaxamento,
flutuar
13. Aumento da auto confiança
14. Comprometimento da memória recente
15. Comprometimento motor
16. Conjuntivite, pupilas dilatadas
17. Taquicardia
18. Alteração da pressão
arterial (hipotensão ortostática)
Efeitos
Crônicos
1. Células e sistema imunológicos
Comprometimento da imunidade, aumento de
infecções bacterianas e virais
Carcinogênese, mutação
celular
2.
Sistema cardiovascular
Pacientes com história de angina
podem evoluir com precordialgia devido ao
aumento da demanda do miocardio e pela taquicardia
Maior risco de hipertensão arterial,
doença cérebro vascular ou
coronariana como conseqüência
da taquicardia e aumento da pressão
arterial
3.
Sistema reprodutor
Diminuição da testosterona
e da produção de esperma,
desorganização do ciclo ovulatório.
Uso na gravidez: hipóxia fetal, comprometimento
do desenvolvimento fetal, baixo peso ao
nascimento.
4.
Sistema respiratório
Fenômenos irritativos dos epitélios
dos brônquios e nasofaringe
Bronquite crônica, câncer pulmonar,
faringite, sinusite
5.
Efeitos no desenvolvimento e adolescência
Estreitamento do repertório social
e interacional
Abertura para o uso de outras drogas (primeiro
uso de drogas lícitas – álcool
e tabaco, passando para canabis, cocaína
e alucinógenos)
Piora do desempenho escolar
Pior taxa de desemprego na vida adulta.
A
ação da maconha no sistema
nervoso central
A ação da maconha (canabis)
assemelha-se aos opioides e benzodiazepínicos
que atuam em receptores específicos
do cérebro, diferentemente do álcool
que perturba a atividade de diversos neurotransmissores.
Os receptores específicos da maconha
são chamados “receptores canabinóides”
sendo que sua distribuição
no cérebro está localizada
principalmente nas regiões da cortex
cerebral, hipocampo, cerebelo e gânglios
basais. Vale notar que as funções
neurológicas destas áreas
com maior concentração de
receptores canabinóides correspondem
a alguns dos efeitos específicos
da droga como por exemplo: pensamento desorganizado
(cortex cerebral), dificuldades de memória
(hipocampo), descoordenação
motora (cerebelo). Os efeitos euforizantes
agudos parecem estar relacionados com a
ação dos receptores canabinóides
no sistema dopaminérgico mesolímbico
cerebral. Este sistema é responsável
pela experiência de reforçamento
produzida pela maioria das drogas de abuso.
Alguns dos efeitos do THC ocorrem pela interação
com o sistema opióide endógeno,
que por sua vez interage com o sistema dopaminérgico.
O
uso crônico da canábis pode
produzir mudanças neuroadaptativas
no sistema límbico, de maneira semelhante
às outras drogas de abuso, o que
parece explicar os efeitos da retirada da
droga, com os fenômenos de craving
associados a abstinência.
Mais recentemente foi descoberta a “anandamida”,
uma substância endógena cerebral
que se liga ao receptor canabinóide
e simula a ação do THC, as
pesquisas com esta substância podem
vir a trazer importantes contribuições
no entendimento do sistema canabinóide
no cérebro.
Absorção
e metabolismo da maconha.
Quando utilizado na forma fumada, o THC
é absorvido rapidamente dos pulmões
na corrente sangüínea com um
pico de concentração ocorrendo
cerca de 10 minutos depois do ato de fumar;
observa-se que o declínio de THC
no sangue é igualmente rápido
de maneira que após uma hora consumo,
apenas cerca de 5 a 10% dos níveis
sangüíneos de THC ainda podem
permanecer circulando.
A absorção pode ser muito
mais lenta, caso o THC for ingerido oralmente,
na forma de bolos ou tortas, sendo o início
dos efeitos sentidos somente depois de uma
hora ou mais, permanecendo ativos por até
5 horas ou mais.
A metabolização do THC tem
início imediatamente nos pulmões
na forma fumada, ou nos intestinos na forma
ingerida oralmente, mas a maior parte do
THC é absorvida na corrente sangüínea
e levada até o fígado onde
é transformada em dois subprodutos,
sendo um psicoativo e outro não.
Este subprodutos são os responsáveis
pelo principais efeitos psicoativos do uso
da maconha, principalmente quando consumida
oralmente.
Tabaco
O tabaco é uma planta denominada
Nicotiana tabacum, da qual é extraída
a nicotina, entre outras substâncias
altamente tóxicas como terebentina,
formol, amônia, naftalina, etc. O
tabaco é uma droga que causa tolerância
e dependência, e muitas das pessoas
que fumam se sentem incapazes de interromper
seu uso. Os efeitos agudos do tabaco são
leve taquicardia, hipertensão, aumento
da respiração e da atividade
motora, dificuldade de digestão,
insônia, tontura e inibição
do apetite. Os efeitos causados pelo seu
uso contínuo são doenças
cardíacas, bronquite crônica,
enfisema pulmonar, derrame cerebral, úlcera
digestiva, diversos tipos de câncer,
diminuição da longevidade.
2, 3
Álcool
O álcool é uma das poucas
drogas que têm o consentimento da
sociedade para a sua utilização,
o que facilita a sua aquisição
e o uso indiscriminado em qualquer faixa
da população. Só é
visto como um problema, quando é
utilizado de forma exacerbada. Os efeitos
causados pelo álcool incluem duas
fases: uma estimulante e outra depressora.
Na fase estimulante surgem a euforia, desinibição
social e facilidade para falar em público.
Os efeitos depressores se traduzem por falta
de coordenação motora, sonolência
e descontrole. O efeito depressor é
acentuado pelo consumo excessivo do álcool,
podendo levar ao estado de coma. Ele age
diretamente em órgãos como
fígado, coração, vasos,
e parede de estômago, e seu uso prolongado
pode desencadear patologias em cada um deles.
O alcoolismo é uma doença
muito comum, e de difícil controle,
pois o álcool é utilizado
pela primeira vez cada vez mais cedo, e
para adquiri-lo, o indivíduo não
precisa fazer grandes esforços. Em
algumas comunidades, há uma estimulação
quanto a ingestão do álcool,
como se fosse traço de masculinidade,
garantia de diversão em festas, etc.
2, 3, 8
Opiáceos
Essas são drogas derivadas do ópio,
podendo ser opiáceos naturais (como
a morfina e a codeína) ou semi-sintéticos
(como a heroína, que é uma
substância alterada da morfina). Os
opiáceos são drogas sedativas,
que induzem o sono, e analgésicas,
sendo assim, muito utilizadas para tratamento
médico. Porém os opiáceos
têm um alto poder de causar dependência,
e seu uso indevido levam a efeitos agudos
como euforia, intensa sensação
de prazer, distanciamento da realidade,
chegando a sentimentos de mal-estar, irritabilidade,
depressão, miose (contração
da pupila), sonolência excessiva,
inconsciência, bradicardia, depressão
respiratória, convulsões,
coma e morte. Os sintomas de abstinência
se apresentam muito intensos, sendo necessária
a internação do indivíduo.
O uso prolongado dos opiáceos levam
a um aumento da tolerância e conseqüente
dependência, prisão de ventre
crônica, problemas digestivos, dificuldades
visuais devido a miose, e total distanciamento
da realidade. 2, 3
TRATAMENTO
A
dependência química é
reconhecida como uma doença que afeta
o indivíduo no campo biopsicossocial,
e as estratégias de seu tratamento
busca o restabelecimento físico,
psicológico e a reinserção
social do dependente. 1
O
tratamento da dependência química
é muito complexo, e seu sucesso e
efetividade estão intimamente ligados
ao grau de motivação do indivíduo.
Os sintomas da dependência não
diferem em grande escala de pessoa para
pessoa, mas a motivação para
a mudança se apresenta de uma determinada
forma para cada um, sendo assim, variável.
Após uma avaliação
do quadro, o tratamento mais indicado será
discutido junto com o dependente, sua família
e a equipe multidisciplinar. 1, 2
A
internação é parte
do tratamento, e não uma única
estratégia. Ela é utilizada
com o objetivo de desintoxicar o indivíduo,
e não implica na cura da dependência
química. Além disso, a internação
é necessária quando o dependente
apresenta sintomas de abstinência
muito intensos, ou quando quadros psiquiátricos
são desencadeados pelo uso excessivo
de drogas. 2
Após
o período de internação
(quando necessária), o acompanhamento
continuado é a estratégia
mais indicada nos quadros de dependência
química. Dessa forma, o tratamento
multidisciplinar permitirá ao indivíduo
lidar com os sintomas de abstinência,
que poderão estar mais amenos. O
tratamento psicológico da dependência
química visa mostrar ao paciente
que ele possui em si próprio meios
de enfrentamento de situações
desconfortáveis sem a utilização
de drogas. Como já foi dito, os aspectos
psicosociais exercem um papel muito importante
na manutenção da doença,
pois passados os sintomas de abstinência,
são eles que permanecem. Assim, o
acompanhamento de um psicólogo é
de extrema relevância para o tratamento
da dependência química, pois
mais importante do que a abstenção
das substâncias que causaram a dependência,
é manter o indivíduo afastado
das drogas, que será um desafio constante
na vida do paciente. 2
A
participação do dependente
químico em grupos de apoio, como
Alcoólicos Anônimos, Narcóticos
Anônimos, e de sua família
em grupos respectivos, pode ser muito importante
para determinados casos no sentido de promover
uma maior motivação e de fazê-lo
compreender que a dependência química
não é um problema que afeta
apenas a sua vida. Ao perceber que outros
dependentes conseguem se manter afastados
das drogas, o paciente se sente motivado
a conquistar o mesmo. A família,
ao freqüentar grupos de apoio divide
suas dificuldades com familiares de outros
dependentes químicos, e aprende diferentes
estratégias para lidar com o problema.
REFERÊNCIAS
BIBLIOGRÁFICAS
1 http://www.unodc.org/adhoc/brazil/pesquisa
2 http://www.einstein.br
3 http://www.unifesp.br/dpsicobio/cebrid
4 http://www.drugscope.org.uk
5 AMERICAN PSYCHIATRIC ASSOCIATION. Manual
diagnóstico e estatístico
de transtornos mentais – 4º edição.
Porto Alegre: Artes Médicas, 1994,
845 p.
6 http://gballone.sites.uol.com.br/voce/drogas.htm
7 http:// www.nida.nih.gov
8 GRIFFITH, E. O tratamento do alcoolismo:
um guia pra profissionais da saúde.
Porto Alegre: Artes Médicas, 1999,
918 p.
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