TRANSTORNO
DE DÉFICIT DE ATENÇÃO/HIPERATIVIDADE
(TDAH)
INTRODUÇÃO
O Transtorno do Défict
de Atenção e/ou Hiperatividade
(TDAH) foi descrito pela primeira vez
no início do século XX,
e desde então tem recebido diversas
denominações, como Lesão
Cerebral Mínima, Disfunção
Cerebral Mínima, Síndrome
da Criança Hiperativa, Distúrbio
Primário da Atenção,
e Distúrbio de Déficit de
Atenção com ou sem Hiperatividade.
9
Embora a maioria dos
estudos sobre o TDAH tenham sido feitos
em crianças desde a sua primeira
descrição até os
dias atuais, os adultos também
podem apresentar o mesmo diagnóstico
porém com sintomatologia própria.
Este fato se deve aos critérios
diagnósticos estabelecidos pela
American Psychiatric Association1,
que enfatizam as características
comportamentais mais comumente observadas
na população infantil. Assim,
os adultos acometidos pelo TDAH acabam
não preenchendo aos critérios
estabelecidos, embora atualmente acredita-se
que o transtorno persiste da infância
até a fase adulta, sofrendo apenas
modificações no quadro sintomatológico.
9
O
QUE É O TDAH?
O TDAH é o distúrbio
do neurodesenvolvimento mais encontrado
em crianças, e a maioria dos casos
persiste até a fase adulta. Suas
principais características são
a desatenção, a impulsividade
e a hiperatividade, que se apresentam
inicialmente na infância, e que
se manifestam em diferentes contextos,
provocando prejuízos funcionais
na vida do indivíduo, como dificuldades
acadêmicas e ocupacionais, problemas
nas relações sociais e com
a auto-estima. 2, 3, 4, 5, 6, 7
Em indivíduos
que apresentam os sintomas em apenas um
tipo de ambiente, como por exemplo, somente
em casa ou só na escola, é
necessário investigar mais especificamente,
para verificar se tais comportamentos
não são oriundos de problemas
psicológicos. 8
O DSM-IV afirma que o
TDAH atinge de 3 a 5% das crianças
em idade escolar, porém o estudo
de Vasconcelos e cols. (2001) encontrou
uma prevalência de 17,1% do transtorno
em crianças da mesma faixa etária.
Outros estudos citados por este mesmo
autor também encontraram um maior
índice de prevalência do
TDAH do que aqueles sugeridos tradicionalmente,
porém todas as pesquisas concluem
que os meninos são mais acometidos
pelo transtorno do que as meninas.
QUAIS
SÃO AS CAUSAS?
A etiologia do TDAH vem
sendo muito investigada nos últimos
anos, para possibilitar melhores estratégias
de tratamento, porém os estudos
ainda não foram suficientes para
precisar as reais causas do transtorno.
Entretanto, a influência de fatores
genéticos e ambientais no desenvolvimento
do TDAH já foi divulgada e bastante
aceita no meio científico. 4,
7, 10
Fatores
ambientais
Algumas teorias sugerem
que fatores psicossociais que atuam na
adaptação e na saúde
emocional da criança, como por
exemplo problemas graves na relação
familiar, pais com transtornos mentais,
ou baixo nível sócio-econômico
e cultural da família, contribuem
para o desenvolvimento e manutenção
de um quadro de TDAH. 4, 7 No
entanto, outros estudos têm contestado
essa idéia, afirmando que as dificuldades
no contexto familiar são as conseqüências
e não o agente etiológico
do TDAH. Além disso, sustenta-se
a hipótese de que os problemas
familiares agravam seus sintomas, mas
não causam o transtorno. 7
Estudos realizados por
Faraone e Biederman (1998), citado por
Rhode e cols. (2003) investigaram a hipótese
de que a presença de complicações
durante a gestação ou no
parto oferecessem uma maior predisposição
ao surgimento do TDAH na criança,
porém os resultados da investigação
não são sustentáveis.
Pesquisas demonstraram
que a ingestão de substâncias
pela mãe durante o período
de gestação, como álcool
e nicotina, podem provocar alterações
na formação do cérebro
do bebê, como a região orbital
frontal, tornando-o mais suscetível
ao desenvolvimento do TDAH. Porém,
vale ressaltar que os estudos apresentam
evidências somente sobre a associação
destes fatores ambientais com o TDAH,
e não sobre uma relação
de causa e efeito entre eles. 4,
7, 10
Fatores
genéticos
O desenvolvimento de
um quadro de TDAH conta com uma grande
contribuição genética.
4, 7, 10. No entanto, os cientistas
não determinaram que os agentes
genéticos são os únicos
responsáveis pelo TDAH, e sim que
são dependentes da interação
com os fatores ambientais associados ao
desenvolvimento do transtorno. 4,
7
A contribuição
genética para o TDAH começou
a ser investigada quando observou-se que
nas famílias de portadores do transtorno
a presença de parentes também
acometidos pela enfermidade apresentava
maior freqüência do que nas
famílias sem crianças com
TDAH. A prevalência do transtorno
nos pais das crianças afetadas
é de duas a 10 vezes maior do que
na população geral. 4,
7
Há também
a hipótese de que a etiologia do
TDAH seja o desequilíbrio de neurotransmissores
no Sistema Nervoso, como por exemplo a
dopamina e a noradrenalina. A sustentação
desta hipótese se dá à
medida que a medicação utilizada
para o tratamento do TDAH age principalmente
sobre estes neurotransmissores.
8
TIPOS
DE TDAH
Para classificar os tipos
de TDAH, faz-se necessária uma
prévia explicação
sobre a manifestação dos
sintomas característicos do transtorno.
-
Desatenção:
o indivíduo apresenta dificuldades
em sustentar a atenção,
e/ ou alternar o foco atencional,
por curto período de tempo,
mesmo durante as atividades cotidianas.
10
-
Hiperatividade:
o sinal característico da hiperatividade
é a dificuldade ou inabilidade
de se manter quieto e calmo, com intensa
agitação motora, mesmo
em situações consideradas
inapropriadas. 10
-
Impulsividade:
se manifesta pela dificuldade do indivíduo
em planejar os comportamentos e as
idéias, agindo de forma precipitada
e impensada. 10
Assim, existem três
tipos de TDAH, são eles:
Neste quadro de TDAH,
tanto os sintomas de desatenção,
como os sintomas de hiperatividade e impulsividade
estão presentes. 1
- TDAH, Tipo Predominantemente Desatento
Este tipo de TDAH é
mais freqüente no sexo feminino e
pode levar, assim como as crianças
que têm o TDAH Tipo Combinado, a
um maior prejuízo no desempenho
acadêmico. As crianças predominantemente
desatentas apresentam um maior retraimento
e isolamento social, o que acaba por gerar
a problemas de relacionamento social.
Assim, isso consiste num círculo
vicioso, já que por não
envolver-se socialmente de forma adequada,
a criança não aprende as
habilidades sociais pertinentes ao seu
grupo. 4
- TDAH, Tipo Predominantemente Hiperativo-Impulsivo
Crianças que apresentam
este tipo de TDAH, se mostram mais agressivas
do que aquelas que sofrem de um dos outros
dois tipos. Dessa forma, freqüentemente
são rejeitadas pelo seu grupo,
pois na maioria das vezes agem sem pensar,
não conseguem prever as conseqüências
de seus atos, e são socialmente
inadequadas. 4
QUAIS
SÃO OS SINTOMAS?
Presença de pelo
menos seis dos seguintes sintomas de desatenção,
persistentes por um período mínimo
de seis meses, em grau mal-adaptativo
e não compatível com o nível
de desenvolvimento:
- Com freqüência não
presta atenção a detalhes
ou comete erros por descuido em tarefas
escolares, de trabalho, etc.
- Apresenta freqüente dificuldade
em manter a atenção
na realização de tarefas
ou atividades lúdicas, não
conseguindo conduzi-las até
o final.
- Freqüentemente passa a impressão
de que está com o pensamento
em outra situação, ou
que não ouviu o que lhe foi
dito.
- Há freqüentes mudanças
de uma tarefa inacabada para outra.
Assim, o indivíduo pode iniciar
uma atividade, ter sua atenção
desviada para outra, e deixar a primeira
incompleta. Com freqüência
não atende a solicitações
e não segue instruções,
o que não se deve a incapacidade
de compreendê-las nem a comportamentos
de oposição, e sim ser
creditado à dificuldade de
atenção.
- Dificuldade na organização
de tarefas e/ou atividades.
- Por não conseguir manter
a atenção, o indivíduo
considera as atividades que exigem
esforço mental constante (tarefas
escolares ou trabalhos burocráticos)
como desagradáveis e aversivas,
passando a evitá-las freqüentemente.
- A realização de tarefas
é prejudicada, devido a freqüente
desorganização, perda
ou descuido dos materiais necessários
(brinquedos, tarefas escolares, lápis
livros, etc.).
- Facilidade de distração
por estímulos alheios à
tarefa, geralmente culminando na interrupção
da mesma.
- Freqüentemente há um
esquecimento no cumprimento das tarefas
diárias (falta a um compromisso
marcado, esquece material escolar,
etc.). No campo das situações
sociais, este sintoma pode se manifestar
por freqüentes mudanças
de assunto, falta de atenção
ao que os outros dizem, falta de atenção
a detalhes ou regras em jogos ou outras
atividades.
Presença de pelo
menos seis dos seguintes sintomas de hiperatividade,
persistentes por um período mínimo
de seis meses, em grau mal-adaptativo
e não compatível com o nível
de desenvolvimento:
- Freqüente inquietação,
caracterizada pela agitação
dos pés e das mãos,
ou por remexer-se na cadeira.
- Dificuldade em permanecer sentado,
freqüentemente abandonando a
cadeira em sala de aula ou em outras
situações em que isso
é necessário.
- Corre ou escala com freqüência,
em situações em que
isso é inadequado.
- Apresenta freqüente dificuldade
em realizar atividades ou brincadeiras
que envolvam silêncio.
- Apresenta-se freqüentemente
com energia em demasia, como se estivesse
"a mil".
- Freqüente excessividade da
fala.
- Com freqüência responde
precipitadamente, mesmo antes das
perguntas terem sido formuladas por
completo;
- Freqüentemente tem dificuldade
em esperar sua vez;
- Com freqüência interrompe
ou intromete-se em assuntos ou brincadeiras
alheios, faz comentários inoportunos
gerando dificuldades em relações
sociais, acadêmicas ou ocupacionais.
Vale ressaltar que a impulsividade
pode ocasionar acidentes (por exemplo,
derrubar ou quebrar objetos, esbarrar
em pessoas, manusear objetos perigosos,
etc.) ou mesmo levar ao envolvimento
em atividades perigosas, sem pensar
nas conseqüências.
Os sintomas de hiperatividade-impulsividade
ou desatenção foram detectados
antes dos sete anos de idade.
Os sintomas se manifestam
em diferentes contextos, incluindo a família,
a escola, o trabalho e as situações
de lazer.
A manifestação
dos sintomas provocam prejuízo
significativo no funcionamento social,
acadêmico ou ocupacional do indivíduo.
REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS
1 AMERICAN PSYCHIATRIC
ASSOCIATION. Manual diagnóstico
e estatístico de transtornos mentais
– 4º edição.
Porto Alegre: Artes Médicas, 1994.
845 p
2 ELIA, J.; AMBROSINI, P. J.; RAPOPORT,
J. L. Treatment of Attention Deficit Hyperactivity
Disorder. The New England Journal
of Medicine, v.340, n. 10, p.
740-788, mar.1999.
3 GUEVARA, J. P.; STEIN, M. T. Evidence
based management of Attention Deficit
Hyperactivity Disorder. British
Medical Journal, n.323, p.1232-1235,
nov.2001.
4 ROHDE, L. A. (org.) Princípios
e práticas em Transtorno de Déficit
de Atenção e Hiperatividade.
Porto Alegre: Artmed, 2003, 236 p.
5 SYMANSKI, M. L.; ZOLOTOR, A. Attention
Deficit Hyperactivity Disorder: Management.
American Family Physician,
out.2001. http://www.aafp.org/afp/20011015/1355.html
6 VASCONCELOS, M. M. (org.) Prevalência
do Transtorno de Déficit de Atenção
e Hiperatividade numa escola pública
primária. Arquivos de Neuro-Psiquiatria,
São Paulo, v.61, n.1, p.67-73,
mar.2003.
7 http:// www.tdah.org.br
8 http://gballone.sites.uol.com.br/infantil/tdah.html
9 http://gballone.sites.uol.com.br/você.dda_adulto.htm
10 http://www.nimh.nih.gov/publicat/adhd.cfm
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