TRANSTORNOS
ALIMENTARES
HISTÓRICO
Entre os séculos
XVII e XIX, a Anorexia Nervosa era denominada
Anorexia Histérica, Apepsia Histérica
e Compunção Nervosa, possuindo
diferentes descrições científicas.
Naquele período, considerava-se a
Anorexia Nervosa como um transtorno que
acometia exclusivamente as mulheres.
Em 1939 estabeleceu-se
o diagnóstico diferencial entre a
Caquexia Hipofisária (uma doença
de causa orgânica, na qual puérperas
sofriam uma perda de peso severa e acabavam
morrendo) e a Anorexia Nervosa.
O aumento da incidência
dos Transtornos Alimentares na população
feminina está intimamente relacionado
às mudanças nos padrões
de beleza e às exigências sociais.
Assim, atualmente evidencia-se uma cultura
do emagrecimento, na qual para obter êxito
e aceitação social, o indivíduo
(principalmente as mulheres) deve estar
dentro deste padrão estético
imposto pela sociedade. (6)
O
QUE SÃO OS TRANSTORNOS ALIMENTARES?
Os Transtornos Alimentares
são caracterizados por perturbações
no comportamento alimentar, podendo levar
ao emagrecimento extremo (caquexia - devido
à inadequada redução
da alimentação), à
obesidade (devido à ingestão
de grandes quantidades de comida), ou outros
problemas físicos. Os principais
tipos de Transtorno Alimentar são
a Anorexia Nervosa e a Bulimia Nervosa,
e ambos têm como características
comuns: uma intensa preocupação
como o peso e o medo excessivo de engordar,
uma percepção distorcida da
forma corporal, e a auto-avaliação
baseada no peso e na forma física.
(1, 3, 10, 11)
Alguns autores caracterizam
os Transtornos Alimentares como síndromes
ligadas à cultura de determinadas
sociedades. O que evidencia esta hipótese
é o fato de que a Anorexia e a Bulimia
têm uma prevalência maior entre
mulheres jovens de países ocidentais,
principalmente as que pertencem às
camadas sociais mais privilegiadas. (3)
QUAIS
SÃO AS CAUSAS?
A etiologia dos Transtornos
Alimentares está associada principalmente
aos aspecto sócio-cultural, embora
não se deva descartar os fatores
biológicos, psicológicos e
familiares. (3, 10, 11)
A pressão cultural
por manter-se magro, seja apenas para atender
à um padrão estético,
ou pela exigência de certas profissões
(moda, esportes), aliada à presença
de uma baixa auto-estima, tornam o indivíduo
mais propenso à desenvolver um quadro
de Anorexia ou Bulimia. (10)
Quanto aos aspectos biológicos,
sabe-se que o neurotransmissor chamado serotonina
pode afetar o apetite, bem como o humor
e o controle dos impulsos no indivíduo.
Algumas pesquisas buscam investigar como
os Transtornos Alimentares podem alterar
os níveis de serotonina no cérebro,
e também a maneira que o sistema
nervoso projeta informações
para o corpo sobre a fome e a saciedade.
Por exemplo, a maioria das mulheres apresenta
melhora do humor e do sentimento de bem
estar depois de comerem, entretanto para
as mulheres com anorexia, o não comer
é que desencadeia a melhora do humor
e do bem estar. (10)
TIPOS
DE TRANSTORNOs ALIMENTARES
ANOREXIA
Este quadro se caracteriza
principalmente pela recusa do indivíduo
em manter um peso mínimo esperado
para a idade e a altura (menos de 85%) através
da restrição do comportamento
alimentar, pelo temor excessivo em ganhar
peso, e pela distorção da
percepção da imagem corporal.
(1, 2, 4, 9, 10)
A perda do peso é
obtida pela redução intensa
da dieta alimentar. Geralmente no início
são restritos apenas os alimentos
considerados calóricos, porém
com o progresso da doença, observa-se
uma dieta extremamente limitada. (1,
4)
O medo de engordar não
é compensado pela intensa perda de
peso, havendo um aumento dessa preocupação
à medida que o peso real diminui.
(1, 4) Algumas pessoas acreditam
estar acima do peso de uma forma geral,
outras se preocupam com a gordura em partes
específicas do corpo. Nesse sentido,
é muito comum a pessoa se pesar com
freqüência, medir obsessivamente
as partes do corpo, ou usar insistentemente
um espelho para verificar as áreas
que percebe estarem gordas. (1, 4)
A auto-estima da pessoa
anoréxica está relacionada
à forma corporal e ao peso. Sendo
assim, a perda de peso é vista como
uma conquista e autodisciplina, enquanto
o ganho de peso é considerado um
fracasso do autocontrole. (1, 4,)
Apesar de alguns indivíduos reconhecerem
que estão magros, eles desconsideram
as implicações que esse estado
pode levar a saúde. (1, 4, 9)
A amenorréia (ausência
de pelo menos três ciclos menstruais)
é um importante indicador fisiológico
da Anorexia Nervosa. Em meninas pré-púberes
a menarca pode ser retardada devido à
doença. (1, 4, 11)
Muitos são os problemas
fisiológicos decorrentes da Anorexia
Nervosa, e que podem levar o indivíduo
a morte. (10, 11) O índice
de mortalidade entre pessoas com a doença
é 12 vezes maior do que o número
de mortes causadas por todas as outras doenças
na população feminina entre
15 e 24 anos de idade. As causas de morte
são as complicações
decorrentes da Anorexia Nervosa, como infecções
importantes, alterações metabólicas
devido à desnutrição,
desequilíbrio eletrolítico
e suicídio. (4, 10, 11)
BULIMIA
Este quadro de Transtorno
Alimentar é caracterizado por compulsões
alimentares periódicas (ingestão
de uma grande quantidade de comida em um
curto espaço de tempo), seguidas
de métodos compensatórios
inadequados (vômitos auto-induzidos,
uso inadequado de laxantes ou diuréticos,
prática de exercícios em excesso)
para evitar o ganho de peso. Assim como
na Anorexia Nervosa, o indivíduo
bulímico apresenta uma auto-avaliação
baseada na forma física e no peso
corporal. (1, 2, 5,10, 11)
Para se estabelecer o diagnóstico
de Bulimia Nervosa, estes comportamentos
devem estar presentes por pelo menos duas
vezes por semana, por um período
mínimo de três meses. (1,
5) Embora haja uma variedade dos tipos
de alimentos ingeridos nos ataques de hiperfagia
(compulsão alimentar), o mais comum
é o consumo de doces ou outros alimentos
de alto teor calórico. (1, 5)
As pessoas acometidas pela
Bulimia Nervosa, ocultam seus comportamentos
patológicos da família e das
pessoas que as cercam, e muitas vezes se
envergonham de seus atos compensatórios.
(1, 5, 10, 11) Normalmente, não
há perda de peso significativa nas
pessoas com Bulimia, trazendo portanto,
maior dificuldade para a família
identificar o problema. (11)
Entre os problemas fisiológicos
conseqüentes dos episódios bulímicos
estão o desequilíbrio eletrolítico,
perda de potássio, inflamação
do esôfago, e danos no esmalte dos
dentes. (10)
TRANSTORNO
DO COMER COMPULSIVO
Os indivíduos com
este Transtorno apresentam episódios
de compulsão alimentar, porém
diferentemente da Bulimia Nervosa, não
utilizam métodos purgativos para
eliminar os alimentos ingeridos, nem a preocupação
irracional com o peso e a forma corporal.
(3, 9, 10, 11)
As pessoas com Transtorno
do Comer Compulsivo perdem o controle durante
os freqüentes ataques de binge eating
(comer compulsivo), e só conseguem
parar de comer quando se sentem fisicamente
desconfortáveis. (3, 9, 10,
11) A maioria é obesa, e uma
parcela significativa das pessoas que fazem
controle alimentar e de peso com acompanhamento
médico sofrem deste Transtorno. (3,
9)
Para ser estabelecido este
diagnóstico, os ataques de comer
compulsivamente devem ocorrer pelo menos
duas vezes por semana, por um período
mínimo de seis meses, e obedecer
aos seguintes critérios: (3,
11)
- Episódios repetidos de binge
eating;
- Durante a ocorrência dos episódios,
devem estar presentes no mínimo
três dos indicadores abaixo:
- Comer muito mais rápido que o
normal;
- Comer até sentir-se desconfortável
fisicamente;
- Ingerir grandes quantidades de comida,
mesmo estando sem fome;
- Comer sozinho por sentir-se envergonhado
da quantidade de comida ingerida;
- Sentir-se culpado e/ou deprimido após
o episódio. *
* Esses sentimentos podem
levar o indivíduo a apresentar novos
episódios de binge eating,
formando-se assim um ciclo.
OBESIDADE
Sabe-se atualmente que
algumas pessoas possuem mais facilidade
para acumular gordura do que outras. Esta
informação envolve aspectos
metabólicos, genéticos, culturais
e comportamentais, descartando-se assim
a antiga idéia de que o obeso era
uma pessoa gulosa, desprovida de controle
e de vontade de cuidar de si próprio.
(8)
Certas doenças endócrinas,
como hipotireoidismo ou outros desequilíbrios
hormonais, podem colocar o indivíduo
sob uma maior propensão a tornar-se
obeso, porém estes casos significam
apenas 2% do total. (8)
Em relação
ao componente emocional da obesidade, estudos
revelam que entre os pacientes obesos há
uma alta incidência (cerca de 75%)
de comportamentos de compulsão alimentar.
Pacientes obesos com compulsão alimentar
apresentam uma propensão maior a
desenvolver co-morbidades, como Transtornos
de Humor, Transtornos de Ansiedade e Bulimia
Nervosa, e não apresentam resultados
positivos em programas de perda de peso,
quando comparados a pacientes obesos sem
compulsão alimentar. Tal fato mostra
que é necessário desenvolver
programas diferentes para pacientes compulsivos
e não-compulsivos. (8)
VIGOREXIA
Apesar de não estar
caracterizado estritamente como um quadro
de Transtorno Alimentar, mas como uma patologia
obsessivo-compulsiva, a Vigorexia se caracteriza
pela obsessão por músculos,
pela compulsão aos exercícios
e pelo consumo de substâncias que
prometem o aumento da massa muscular (como
anabolizantes). Assim como as pessoas que
têm Anorexia ou Bulimia, os portadores
da Vigorexia apresentam uma percepção
distorcida da imagem corporal. (6)
SÍNDROME DO
GOURMET
Os indivíduos que
apresentam este quadro estão insistentemente
preocupados na preparação,
compra, apresentação e ingestão
de pratos especiais e/ou exóticos,
colocando em segundo plano suas relação
sociais, familiares e ocupacionais. (3)
TRANSTORNO ALIMENTAR
NOTURNO
Caracteriza-se pelo comportamento
alimentar durante a noite, mesmo que a pessoa
continue dormindo. Não lembram de
nada ao despertar, e negam sobre o fato
quando informados por outra pessoa. Um fato
importante é que são pessoas
que geralmente fazem algum tipo de regime
alimentar durante o dia. (3)
PICA
Este é um transtorno
que se caracteriza pela ingestão
de substâncias não comestíveis
como sabonete, tijolo, argila, cascas de
pintura, gesso, giz, cinzas de cigarro,
etc. As pessoas com maior propensão
a desenvolver o Transtorno de Pica são
mulheres com tendência histérica,
grávidas, pessoas de certos grupos
étnicos nos quais estes comportamentos
são considerados normais, e indivíduos
que passaram por sérias restrições
no comportamento alimentar. (1, 3,
7)
TRATAMENTO
O tratamento dos Transtornos
Alimentares busca restaurar o comportamento
alimentar adequado, e restabelecer o peso
considerado normal para a idade e a altura
do indivíduo. O objetivo do tratamento
é tirar o indivíduo do desequilíbrio
clínico que a gravidade dos sintomas
pode gerar. (9, 10, 11)
Por serem quadros de extrema
complexidade, os Transtornos Alimentares
requerem um tratamento realizado por equipe
multiprofissional, com psicólogo,
nutricionista, médico endocrinologista
e médico psiquiatra. (10, 11)
Em relação
ao restabelecimento da saúde mental,
o psiquiatra e o psicólogo são
os profissionais melhor preparados para
realizar a avaliação e traçar
estratégias para o tratamento do
transtorno. O psiquiatria poderá
medicar o paciente de acordo com patologia
original e as comorbidades mentais, a fim
de resgatar o equilíbrio do humor.
Já o trabalho do psicólogo
tem o objetivo de tratar as relações
do indivíduo, quer seja com sua família,
com a sociedade e, principalmente, consigo
mesmo. O processo psicoterápico auxilia
na recuperação da auto estima,
oferecendo um caminho de descoberta das
causas dos sintomas, possibilitando o lançamento
de estratégias e habilidades para
melhor lidar com os desequilíbrios
emocionais. (Veja maiores detalhes na seção
Processo Psicoterápico)
REFERÊNCIAS
BIBLIOGRÁFICAS
1. AMERICAN PSYCHIATRIC
ASSOCIATION. Manual diagnóstico
e estatístico de transtornos mentais
- 4º edição. Porto Alegre:
Artes Médicas, 1994. 845 p.
2. ORGANIZAÇÃO
MUNDIAL DE SAÚDE. Classificação
de transtornos mentais e de comportamento
da CID-10: descrições
clínicas e diretrizes diagnósticas.
Porto Alegre: Artes Médicas, 1993.
351 p.
3. http://www.psiqweb.med.br/alimentar.html
4. http://www.psiqweb.med.br/anorexia.html
5. http://www.psiqweb.med.br/bulimia.html
6. http://sites.uol.com.br/gballone/alimentar/vigorexia.html
7. http://www.anred.com/pica.html
8. http://www.psiqweb.med.br/infantil/obesid2.html
9. http://www.inef.com.br/transtornos_alimentares.htm
10. http://www.4woman.gov/faq/eatingdi.htm
11. http://www.nimh.nih.gov/publicat/eatingdisorder.cfm
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