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TRANSTORNOS
DE HUMOR
HISTÓRICO
Foi no século XIX
que Emil Kraeplin apresentou o conceito
das depressões, semelhante à
forma que elas são explicadas no
tempos atuais, introduzindo o termo Psicose
Maníaco-Depressiva (PMD), atualmente
sob a denominação de Transtorno
de Humor Bipolar. Mesmo já tendo
descrito as depressões psicógenas
e os estados depressivos leves permanentes,
alternados ou não com estados hipomaníacos,
Kraeplin hesitava em incorporá-los
na PMD ou nos Transtornos de Personalidade.
Ao final do século
XIX, a idéia de que os estados depressivos
não tinham somente causa endógena
foi fortalecida, surgiram diferentes terminologias,
como por exemplo, depressão reativa,
depressão neurótica, depressão
de esgotamento, entre outras. Foi dentro
deste panorama que confirmou-se a hipótese
de que a depressão tem causa multifatorial.
A partir de 1993, a Organização
Mundial de Saúde através da
Classificação Internacional
de Doenças (CID-10), começou
a adotar critérios fenomenológicos
e descritivos para classificar as depressões.
Com os critérios internacionalmente
aceitos, vão sendo progressivamente
abolidas as diferentes classificações
da depressão, minimizando as controvérsias
de conceituação. (2)
O
QUE É A DEPRESSÃO?
A depressão se caracteriza
por um sentimento de tristeza profunda,
associado com sintomas fisiológicos
e cognitivos no indivíduo. (16)
Tanto a CID-10 como a American Psychiatric
Association (DSM-IV) caracterizam a depressão
como um conjunto de sintomas que incluem
humor deprimido (tristeza, desesperança),
perda de interesse e prazer por atividades
anteriormente satisfatórias e diminuição
da energia, levando-o à uma importante
falta de ânimo que interfere na vida
no indivíduo.
De acordo com o DSM-IV,
para ser caraterizado como depressão,
este conjunto de sintomas deve estar presente
por no mínimo duas semanas e causar
prejuízo significativo na vida social
e/ou ocupacional do indivíduo. Segundo
a CID-10, dependendo da forma como os sintomas
são experimentados, a depressão
deve ser classificada como leve, moderada
ou severa.
QUAIS
SÃO AS CAUSAS?
A depressão apresenta
causas multifatoriais, tendo sua origem
em fatores endógenos (neurobiológicos,
genéticos) e fatores exógenos
(psicossociais). Vale ressaltar que esses
fatores apresentam uma forte relação
de interdependência. (11)
Aspectos neurobiológicos
Na depressão ocorre
uma alteração bioquímica
no cérebro, causada por um déficit
no metabolismo da serotonina que é
o principal neurotransmissor responsável
pelo equilíbrio do humor e da sensação
de bem-estar no indivíduo. (11,
15) Estudos mostram que o fator genético
apresenta grande importância para
a evolução de um quadro depressivo.
(16)
Aspectos
psicossociais
Vários são
os fatores psicossociais que podem contribuir
para o desenvolvimento da depressão.
A ocorrência de eventos negativos
recentes (morte de um ente querido, perda
do trabalho, doenças), problemas
no relacionamento afetivo/conjugal, estresse
e falta de auto-estima, são considerados
fatores psicossociais facilitadores para
a instalação de um quadro
depressivo. (3, 16)
QUAIS
SÃO OS SINTOMAS?
De acordo com o DSM-IV,
os sintomas da Depressão se caracterizam
por:
a)
Humor deprimido
Um forte sentimento de
tristeza, desesperança em relação
ao futuro, falta de ânimo frente à
quase todas as situações são
sintomas comuns apresentados pela pessoa
deprimida. Muitas vezes, o indivíduo
relata estar se sentindo "vazio".
b)
Perda de interesse
O indivíduo não
apresenta desejo em realizar atividades
anteriormente consideradas agradáveis
(por exemplo: prática de esportes,
lazer, etc.), observando-se um retraimento
social. Algumas pessoas apresentam uma diminuição
significativa no interesse sexual.
c) Alterações
no apetite e/ou no peso
Embora na maior parte dos
casos o apetite se apresente reduzido, alguns
indivíduos têm avidez por alimentos
específicos como doces ou carboidratos.
De acordo com a alteração
no apetite, pode ocorrer perda ou ganho
significativo de peso.
d)
Distúrbios do sono
A maioria das pessoas acometidas
pela depressão apresentam insônia,
com dificuldades na conciliação
e/ou manutenção do sono. No
entanto, há aquelas que sofrem de
hipersonia, uma necessidade excessiva de
sono durante grande parte do dia.
e)
Retardo ou agitação psicomotora
Há pessoas que apresentam
um retardo psicomotor, com lentificação
da fala, pensamento e atividade corporal,
em geral nota-se a diminuição
significativa do volume da voz ou da variedade
de assuntos, podendo chegar ao mutismo.
Por outro lado, outros indivíduos
podem apresentar agitação
psicomotora, não conseguindo se manter
parados em um só lugar.
f)
Fadiga e perda energia
É muito comum a
pessoa deprimida se sentir cansada mesmo
sem ter feito esforço físico
algum. Dessa forma, tarefas simples como
tomar banho e vestir-se tornam-se exaustivas
e podem levar o dobro do tempo normal para
serem concluídas.
g)
Sentimento de inutilidade ou culpa
Há um forte rebaixamento
da auto-estima, estando o indivíduo
sob a tendência de se avaliar de forma
negativa, interpretar erroneamente eventos
corriqueiros, e de se sentir culpado por
adversidade de forma exacerbada, mesmo não
possuindo responsabilidade sobre tais situações.
h)
Dificuldades de concentração
e na tomada de decisões
O indivíduo se distrai
facilmente e se queixa de problemas de memória.
Dessa forma, pode apresentar forte dificuldade
em tomar decisões simples ou concluir
tarefas cotidianas.
i)
Pensamentos de morte ou ideação
suicida
A depressão pode
trazer pensamentos relacionados à
morte, chegando até a ideação
suicida. Estes sintomas ocorrem na maioria
das vezes em decorrência da sensação
de inutilidade ou da falta de esperança
quanto ao futuro. A ideação
suicida deve ser cuidadosamente observada
pela família e pelos profissionais
que assistem o paciente, por representar
risco real.
OUTROS
TRANSTORNOS DE HUMOR
A depressão é
um dos Transtorno de Humor, podendo se manifestar
de diferentes formas. Veja a seguir as diferenças
entre os principais distúrbios de
humor.
DEPRESSÃO
MAIOR
Para o diagnóstico
de Depressão Maior, segundo o DSM-IV,
o indivíduo precisa apresentar pelo
menos 5 dos sintomas descritos anteriormente,
por um período de no mínimo
duas semanas. Dentre os sintomas, pelo menos
um deve ser o humor deprimido ou a perda
do interesse ou prazer. O quadro precisa
causar prejuízo significativo nas
atividades sociais, ocupacionais e de lazer
do indivíduo. A Depressão
Maior pode ser manifestada apenas por um
único episódio, ou ser recorrente.
(1, 16)
DISTIMIA
A Distimia se caracteriza
por um humor cronicamente triste ou deprimido
na maior parte dos dias, na maioria dos
dias, por no mínimo dois anos. Os
distímicos descrevem seu humor como
triste ou "na fossa", o que muitas vezes
é confundido com características
de personalidade. É comum que a Distimia
não seja diagnosticada e que o paciente
se reconheça como tendo sido sempre
"mal humorado" e irritado. A sintomatologia
é em geral semelhante a da Depressão
Maior, de forma menos intensa, excluindo-se
a ideação suicida. A Distimia
tem início insidioso, ou seja, instala-se
lentamente ao longo do tempo. A pessoa com
Distimia também pode apresentar um
episódio depressivo maior em algum
momento da vida. (1, 16)
TRANSTORNO DE HUMOR BIPOLAR
I
Anteriormente chamado de
Psicose Maníaco-Depressiva, o Transtorno
de Humor Bipolar I caracteriza-se pela ocorrência
de no mínimo dois episódios
de mudança brusca de humor, nos quais
o indivíduo apresenta uma perturbação
nos níveis de humor e atividade.
(1, 5, 16) O período de
duração média de um
episódio maníaco gira em torno
de quatro meses, enquanto que o episódio
depressivo pode durar mais tempo, cerca
de 6 meses. (5) O quadro se manifesta
por mudanças abruptas do humor, ou
seja, há ocasiões em que ocorre
elevação significativa dos
níveis de humor, da energia e da
atividade (episódio maníaco),
seguidas de outras em que há rebaixamento
destes mesmos níveis (depressão).
(1, 5)
O aumento da energia no
episódio maníaco vem caracterizado
por uma hiperatividade, fala excessiva (logorréia),
diminuição da necessidade
do sono, grandiosidade e otimismo excessivo.
O indivíduo acredita ser capaz de
realizar atos inimagináveis, relata
ter várias habilidades, gasta dinheiro
em excesso, entre outros. (1, 5).
Já no episódio depressivo
ocorre o processo contrário, podendo
o paciente apresentar até mesmo ideação
suicida. (1, 5, 16)
TRANSTORNO
BIPOLAR II
A característica
essencial do Transtorno Bipolar II é
um curso clínico marcado pela ocorrência
de ciclos rápidos de Depressão,
acompanhados por pelo menos um Episódio
Hipomaníaco. Estes ciclos podem se
alternar de uma semana para outra, de um
dia para outro, ou até num mesmo
dia. Aproximadamente 5 a 15% dos indivíduos
com Transtorno Bipolar II têm múltiplos
(quatro ou mais) episódios de humor
(Hipomaníacos ou Depressivos Maiores)
que ocorrem dentro de um mesmo ano. Embora
a maioria dos indivíduos com Transtorno
Bipolar II retorne a um nível plenamente
funcional entre os episódios, aproximadamente
15% continuam apresentando humor instável
e dificuldades interpessoais ou ocupacionais.
DEPRESSÃO
NA CRIANÇA E NO ADOLESCENTE
Há cerca de três
décadas, ainda não se pensava
sobre a possibilidade de crianças
e adolescentes desenvolverem um quadro depressivo.
Atualmente, pesquisadores confirmam que
qualquer grupo etário está
suscetível à depressão.
No entanto, há que se atentar para
a sintomatologia de acordo com cada faixa
do desenvolvimento humano (11, 14)
(veja sessão desenvolvimento humano
neste site).
Em crianças e adolescentes,
acrescenta-se ao quadro sintomatológico
o humor irritável, o comportamento
desafiador e queixas de sintomas físicos
sem causa aparente, como cefaléias,
dor abdominal, náuseas, etc. (1,
8, 13, 14) Já em crianças
mais novas, por não terem habilidade
para comunicar suas verdadeiras emoções,
é comum se observar mudanças
no comportamento geral, seja no sentido
do aumento (hiperatividade), ou na diminuição
do contato (distanciamento e apatia) . (13)
Mudanças abruptas
no comportamento da criança ou do
adolescente devem ser cuidadosamente observadas.
Essas alterações incluem a
dificuldade de adaptação social,
altos níveis de irritabilidade, agressividade
e oposição à autoridade.
(13, 15). A criança ou
o adolescente acometido por algum tipo de
depressão, está bastante propenso
a ter o seu desenvolvimento psicológico
e social comprometido (13). O
abuso de álcool ou outras drogas
é, por exemplo, freqüente em
adolescentes deprimidos, como uma forma
de se livrarem dos sentimentos que os cercam.
(14, 18) Pesquisas mostram que
5% das crianças e adolescentes na
população geral apresenta
um quadro depressivo em algum momento da
vida, comprovando que não somente
os adultos são suscetíveis
aos transtornos de humor. (18)
DEPRESSÃO
NO IDOSO
Os distúrbios afetivos
com alterações do humor são
as principais psicopatologias que acometem
os idosos. (10) A prevalência
da depressão é muito maior
em indivíduos de idade avançada
do que em qualquer outra faixa etária.
(2) Cerca de 15% da população
idosa apresenta sintomas depressivos (2),
enquanto que em indivíduos na fase
adulta os índices giram em torno
de 5 a 9% para mulheres, e de 2 a 3% para
homens. (1)
As mudanças psicossociais
decorrentes do avanço da idade, (como
tornar-se dependente dos filhos ou o aparecimento
de doenças), são a principal
causa de depressão em idosos, principalmente
nos homens. A dificuldade em processar as
emoções e os sentimentos também
pode fazer com que o paciente geriátrico
não perceba as alterações
em seu estado de ânimo, e direcione
suas atenções apenas aos sintomas
físicos. Isto faz com que a avaliação
e o diagnóstico da depressão
no idoso nem sempre sejam realizados de
maneira adequada. (9)
Ao se avaliar um paciente
idoso do ponto de vista clínico,
o profissional deve sempre levar em consideração
a ocorrência de depressão,
pois ela pode se apresentar como diagnóstico
diferencial ou associado em diversos quadros.(6)
É freqüente a observação
de sintomas depressivos em idosos com importantes
afecções físicas. Ainda,
se a depressão não for tratada
adequadamente, pode dificultar o processo
de recuperação da enfermidade
física, prolongar o período
de hospitalização e provocar
o aumento do índice de mortalidade.
(4)
TRATAMENTO
O tratamento da depressão
pode ser feito através de psicoterapia,
medicamentos antidepressivos, ou pela combinação
de ambos, o que aumenta sua efetividade.
(7, 12, 16)
Tratamento
farmacológico
Existem no mercado vários
tipos de antidepressivos, sendo necessária
uma avaliação clínica,
para então decidir sobre o medicamento
mais adequado para o paciente. (7,
12, 16). Sabe-se que a serotonina
é um dos principais neurotransmissores
responsáveis pela estabilização
do humor e pela sensação de
bem-estar do indivíduo. Logo, um
déficit na produção
desse neurotransmissor contribui para o
surgimento de sintomas depressivos. (12,
17) Um dos medicamentos antidepressivos
mais modernos compreendem os Inibidores
Seletivos da Recaptação da
Serotonina (ISRS). Sua atuação
no sistema nervoso promove um aumento da
da recaptação deste neurotransmissor
pela célula pós sináptica,
ocasionando um aumento deste na fenda sináptica,
o que contribui ao longo de algumas semanas
para o alívio dos sintomas. (7,
12, 16) Nos Transtorno Bipolar, os
medicamentos indicados são os estabilizadores
de humor, por terem melhor resposta tantos
nos episódios maníacos como
os depressivos. A avaliação
feita por um médico psiquiatra é
obrigatória para indicar o melhor
tipo de medicação para o paciente.
Tratamento
psicoterápico
Assim como os psicofármacos,
há uma grande variedade de abordagens
psicoterápicas. Porém, todas
elas objetivam a melhora da qualidade de
vida do indivíduo, trabalhando sobre
as causas e conseqüências da
depressão, e auxiliando o paciente
a desenvolver recursos internos para lidar
com suas disfunções. O trabalho
psicoterápico, associado ao tratamento
medicamentoso é reconhecidamente
a maneira mais eficaz de tratar a depressão,
pois possibilita a remissão dos sintomas
depressivos, bem como evita sua reincidência.
(7, 12, 15, 16) O tratamento
psicoterápico só pode ser
oferecido por profissionais capacitados
na área da saúde mental: psicólogo
ou psiquiatra. (veja maiores detalhes na
seção Processo Psicoterápico)
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Tratamento psicofarmacológico da
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Arquivos de Geriatria e Gerontologia,
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11. YUNES, Roberto. "Depresión
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13. http://sites.uol.com.br/gballone/infantil/depinfantil.html
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17. http://sites.uol.com.br/gballone/cursos/farmaco3.html
18. http://www.focusas.com/Depression.html
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