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O DESENVOLVIMENTO DA LINGUAGEM

INTRODUÇÃO

A linguagem é definida como uma ferramenta de comunicação do ser humano para interagir com o mundo e consigo próprio através de símbolos verbais e acústicos. O ser humano inicia seu processo de comunicação muito cedo, antes mesmo de nascer, quando ainda está no ventre materno. Os movimentos que faz durante a gestação são respostas aos estímulos sonoros externos e são muito importantes para que a comunicação entre mãe e bebê se faça adequada desde esse período. 1

Embora existam diversas teorias que explicam o desenvolvimento da linguagem, sabe-se que o seu processo depende de fatores como a idade, envolvendo ainda: 2

  • o nível de maturação do sistema nervoso, tanto central como periférico, relacionado ao desenvolvimento motor e do aparelho fonador;

  • o desenvolvimento cognitivo, que se relaciona com a discriminação perceptual da linguagem falada e as funções dos processos de simbolização e do pensamento;

  • e os níveis de desenvolvimento nos campos social e emocional, ou seja, dos resultados obtidos através das interações da criança e seu meio.

 

ETAPAS DO DESENVOLVIMENTO DA LINGUAGEM

A aquisição da linguagem na criança compreende um processo que se dá por etapas, cada qual caracterizada pelo surgimento de novas capacidades e aquisições fonéticas, sintáticas e semânticas. 2 Essas etapas não podem ser tomadas como regras no desenvolvimento da criança, mas podem servir como indícios e parâmetros a respeito da evolução da linguagem durante a infância, compreendendo duas etapas principais: 1, 2, 3

  • Etapa Pré-Lingüística

A etapa pré-linguística do desenvolvimento da linguagem compreende o período do nascimento até os nove ou dez meses de idade da criança. O choro é a primeira e principal ferramenta de comunicação do bebê nesta fase da vida, já que é através dele que terá suas necessidades atendidas pelos pais, seja o frio, a fome, dor, etc. Quando o bebê reconhece que os pais suprem suas necessidades respondendo ao seu choro, ele percebe que outras pessoas podem escutá-lo. Com o passar do tempo, mais ou menos a partir da 6ª semana de vida, o bebê adquire outras formas de comunicação, como o sorriso, o olhar, o tato, etc. 1, 3

A partir do segundo mês, o choro adquire características sonoras que variam conforme a necessidade do bebê, estando sua tonalidade relacionada ao seu estado de bem-estar ou mal-estar. Já no início do terceiro mês de vida, o bebê é capaz de produzir sons guturais e vocálicos e de responder aos estímulos sonoros de outras pessoas através do sorriso ou de um murmúrio. É também nessa época que surge o balbucio, que é definido pela emissão de sons mediante o redobramento de sílabas, como "ma ma", "ta ta", etc. Embora o balbucio permaneça até o oitavo ou nono mês de vida, é no quinto ou sexto mês que ele progride consideravelmente e inicia o processo de imitação de sons. Assim, o bebê pode tanto imitar sons produzidos por ele mesmo ou por outras pessoas, seja adulto ou criança. Entre o sétimo e oitavo mês, é importante que os nomes dos objetos oferecidos à criança sejam pronunciados para que possa aprimorar suas capacidades lingüísticas e comunicativas, além de contribuir para sua socialização. Nessa idade, o bebê apresenta vocalizações espontâneas e até sílabas e ditongos, que são as principais aproximações para a emissão das primeiras palavras. Aos nove ou 10 meses de vida, a criança pode dizer algumas palavras curtas, porém a maioria delas são apenas a repetição do que dizem os adultos. A criança apresenta um forte interesse por imitar gestos e sons para estabelecer a comunicação, estando assim propensa a aprender a linguagem mais rapidamente, necessitando para isso o reforço e o estímulo dos pais a cada progresso adquirido. 2

  • Etapa Lingüística

O início da Etapa Lingüística se caracteriza pela emissão das primeiras palavras. Dentro dessa etapa, a criança desenvolve uma série de capacidades de comunicação, de acordo com a idade. 2, 3

Entre os 9º e 18º meses de vida, a criança reconhece e responde quando chamam pelo seu nome, sabe o significado de algumas palavras, como "sim" e "não", e utiliza a linguagem para estabelecer e manter o contato com o meio familiar. É capaz de responder ao sons com gestos, como dizer "tchau" com as mãos. Surgem também as primeiras palavras com sentido, como "mamãe", "papai", e compreende ordens simples, como dar e receber. 1 É nesta fase que se inicia a emissão de palavras-frase. Assim, a criança pode solicitar algo através de apenas uma palavra, embora em crianças com um nível de estimulação e desenvolvimento maior, pode-se observar frases de duas palavras, havendo em alguns casos até mesmo o emprego de adjetivos. 2

Dos 18 aos 24 meses de idade, há um enriquecimento da linguagem e a criança passa a explorar melhor o ambiente em que vive, conhece novos nomes e as partes do corpo. A maior parte das crianças possui um repertório lingüístico com mais de 50 palavras, passando a formar frases com duas ou três palavras. Assim, a aquisição de palavras novas passa a ser quase que diária, utilizando em suas expressões substantivos, verbos e qualificadores (adjetivos e advérbios). 2, 3 Nessa fase, a linguagem se caracteriza como um meio de comunicação entre várias crianças, facilitando a socialização. 3

Dos dois aos três anos de idade, há um forte aumento do vocabulário. Em suas frases, a criança já é capaz de empregar verbos auxiliares como "ter" e "ser", utiliza preposições e apresenta uma fala bem compreensível , inclusive para pessoas fora de seu meio familiar. 2 Nesse período a criança é capaz de dizer seu nome e idade, expressa frases de três ou mais palavras, reconhece os objetos conforme sua utilidade, e assim possui um vocabulário mais enriquecido. 3 Entre três e quatro anos pode relatar pequenos fatos, embora a narrativa esteja ligada a situações imediatas ou concretas.

No período dos quatro aos cinco anos de idade, a criança apresenta expressões referentes aos comportamento social apreendido, como cumprimentos, pedir favor e dizer obrigado. A linguagem já não é mais apenas uma ferramenta de comunicação imediata, e a criança pode representar mentalmente os objetos e situações, o que facilita tanto o desenvolvimento da linguagem como o desenvolvimento da capacidade intelectual. 2 Durante esse período, ou até mesmo um pouco antes, pode-se observar uma tartamudez (gagueira) fisiológica que é considerada normal durante o processo do desenvolvimento da linguagem. Essa tartamudez deve ser preocupante se permanecer após os cinco anos de idade, sendo então necessário que os pais procurem ajuda profissional para corrigir o problema. Nessa etapa, a criança poderá falar corretamente todos os fonemas da nossa língua, não sendo mais esperadas as trocas articulatórias, embora ainda não domine completamente as regras de regularização dos verbos.

Entre os seis e sete anos de idade, a criança apresenta uma adequada maturidade neuropsicológica para a aprendizagem e uma linguagem cada vez mais abstrata, demonstrando um maior nível de compreensão de um contexto, e podendo relacioná-lo a outros. Dessa forma, a criança pode relatar o que aconteceu na escola, aprender canções infantis e compreender histórias. 2, 3 Nesse período a criança se faz capaz de perceber as críticas e comentários de outros a respeito de sua pessoa. Assim, a criança desenvolve uma consciência de si próprio, e conseqüentemente um auto-conceito e auto-imagem que influenciará no desenvolvimento de sua personalidade e adaptação social. 2

Após os sete anos de idade, a criança já adquiriu uma linguagem completa, com a articulação, a compreensão e a entonação apresentadas de forma adequada. 3

É importante salientar que as etapas do desenvolvimento de acordo com a idade podem variar de criança para criança, já que cada um possui o seu próprio tempo e aprende de acordo com suas capacidades. A estimulação da linguagem e conseqüentemente das capacidades intelectual e social da criança pode ser feita pelos pais através de jogos e brincadeiras, que são atividades em que a criança se mostra mais colaborativa e que se sente bem, embora seja importante que qualquer atividade não seja interrompida para estimular a linguagem da criança. Dessa forma, a criança poderia perceber a estimulação como um processo aversivo, o que não geraria resultado positivo algum. 3

Em caso de suspeita de atraso na linguagem os pais podem consultar a um pediatra ou um fonoaudiólogo que avaliarão com maior precisão o ritmo de desenvolvimento da linguagem da criança, levando em consideração todos os aspectos intervenientes neste processo.

REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS

1RODRIGUEZ, J. C. El niño también tiene la palabra. Pediatría. Bogotá, v.34, n.2, jun.1999.
2 http://sisbib.unmsm.edu.pe/bibvirtual/libros/Ling%C3%BCisitica/Leng_Ni%C3%B1o/Des_Leng_Ver_
3 ARDOUIN, J.; BUSTOS, C.; JARPA, M. La aquisición del lenguaje en los niños. 1998 http://www.udec.cl/~ivalfaro/apsique/apre/lenguaje.html


 
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