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Fev, 2006 - Plenamente

Os transtornos do sono

O sono é um estado fisiológico comum a quase todos os animais, embora se apresente em cada um deles sob características próprias. As investigações científicas acerca do sono iniciam-se em meados do século XX. Até então, acreditava-se que o indivíduo dormia para recuperar as energias, e que nenhuma atividade cerebral ocorria durante o sono. Os primeiros registros eletroencefalográficos realizados por Hans Berger nos anos 30, provaram que a atividade cerebral não cessa em nenhum momento do ciclo sono-vigília, mas sim que ele se modifica conforme o estado de consciência. 1

Assim, o sono é decorrente da atividade de várias estruturas do cérebro, e envolve mecanismos bem complexos. Diversos problemas podem ser desencadeados, caso exista alguma alteração em um ou mais mecanismos do sono. Esses problemas variam de acordo com a estrutura e o mecanismo atingidos, e assim os Transtornos do Sono (TS) apresentam diversas causas, sintomas e conseqüências. 1

Durante o período de sono, as atividades cerebrais registram 5 estágios distintos e progressivos, que levam o indivíduo do sono mais leve ao mais profundo. Os quatro primeiros são os estágios de sono de movimentos oculares não rápidos (NREM), e o quinto estágio é o sono de movimentos oculares rápidos (REM). A fase REM é quando se dá o sono mais profundo, e a ocorrência da maior parte dos sonhos. Do tempo total de sono, cerca de 30% é ocupado pelos estágios 1. 3 e 4; 50% pelo estágio 2 e 20% pelo sono REM. Já as crianças passam mais da metade do tempo dormido no estágio REM. 2,3

É sabida que a boa qualidade do sono propicia ao indivíduo a melhora de sua qualidade de vida no geral. Em crianças e adolescentes, por exemplo, é durante o sono que ocorre a liberação do hormônio do crescimento. O sono favorece o funcionamento adequado do sistema nervoso, por meio da estabilização dos neurotransmissores que tanto influenciam nas funções cognitivas, entre elas a atenção, a memória e as funções executivas. Vale ressaltar que o indivíduo que apresenta a estas funções cognitivas estáveis possui maior capacidade para rendimento profissional e acadêmico. 2

Para se ter uma idéia da importância do sono na saúde mental do ser humano, há pessoas que desenvolvem transtornos do humor (por exemplo, a depressão), devido a persistência de sua má qualidade do sono.

Os Transtornos do Sono (TS) são definidos por um padrão alterado e persistente da qualidade e da quantidade do sono. Existem dezenas de tipos de TS, no entanto eles são classificados em quatro categorias principais. Veja abaixo algumas informações sobre os quadros que pertencem aos Transtornos Primários do Sono. As outras categorias dos TS são: Transtornos do Sono relacionado a outro transtorno mental; Transtorno do Sono devido à uma condição médica geral; e Transtorno do Sono induzido por substância 3

Transtornos Primários do Sono

- Dissonias

Este subtipo dos TS é caracterizado por alterações na quantidade, qualidade ou regulação do sono. Os quadros de dissonias mais comuns são:

- Parassonias

Caracterizados por episódios comportamentais anormais que ocorrem durante o sono, os quadros mais comuns desse subtipo de TS são:

Quanto à prevalência dos TS, estudos norte-americanos indicam que cerca de 1/3 da população apresenta algum tipo de TS. Esse alto índice demonstra quão sensível é a fisiologia do sono, podendo sofrer alterações até mesmo com as preocupações cotidianas. Nessa taxa de prevalência, a insônia é o quadro mais comum. 4

O tratamento dos TS vai depender da causa do problema, e para isso deve ser realizada uma investigação minuciosa por um médico especialista. O tratamento pode incluir medicamentos específicos ou simplesmente uma mudança nos hábitos da pessoa resolverá o problema. Abaixo se encontram algumas dicas para ter uma boa qualidade de sono e prevenir alguns problemas:

Referências bibliográficas
  1. http://www.ninds.nih.gov/disorders/brain_basics/understanding_sleep.htm
  2. American Psychiatric Association. Manual diagnóstico e estatístico de transtornos mentais – 4ª edição. Porto Alegre: Artes Médicas, 1994.
  3. http://www.psicosite.com.br/tra/out.sono.html
  4. http://www.sleepdisorders.about.com/
  5. http://www.psiqweb.med.br/geriat/sonogeri.html
  6. http://www.neuropsiconews.org.br/43_npn/43_oqueesta.html

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