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April, 2003. Psychiatric News
Estudo ajuda a identificar crianças com depressão
Durante décadas teóricos do desenvolvimento questionaram se as crianças muito novas poderiam ficar deprimidas devido a imaturidade de sua cognição e emoções. Mas quando começaram a surgir evidências de que isso poderia ocorrer, a suspeita, então, foi de que elas pudessem expressar sua depressão através de sintomas físicos, como dores de estômago, ou dores de cabeça, embora crianças maiores não tendessem a fazê-lo.
Hence Luby M.D., professor de psiquiatria infantil na Washington University School of Medicine, e seus colegas desenvolveram um estudo para descobrir quais sintomas exibidos por crianças muito novas realmente são sinais de depressão. Este trabalho foi publicado em Março de 2003, no Journal of the American Academy of Child and Adolescent Psychiatry.
Neste estudo, os autores concluíram que a perda no interesse em brincar parece ser o maior sinal de que a criança entre 3 e 6 anos está deprimida. Os dois outros maiores sinais de alerta são tristeza e irritabilidade.
Para o estudo, Luby e seus colegas recrutaram 155 crianças, entre 3 e 6 anos, provenientes do departamento de saúde mental e do pronto-atendimento. Estas crianças foram divididas em três grupos de acordo com os critérios do DSM-IV (Manual de Diagnóstico e Estatística de Distúrbios Mentais), sendo: 55 com depressão, 43 com Déficit de Atenção e Hiperatividade e/ou Transtorno Desafiante Opositor e 57 sem transtornos psiquiátricos. Estes três grupos eram similares em gênero, etnia, nível de instrução dos pais e renda familiar.
Na investigação, os pesquisadores utilizaram uma entrevista psiquiátrica estruturada, versão modificada da Diagnostic Interview Schedule para crianças, assim como outros dois questionários estruturados: Preschool Symptom Module e uma versão da Child Behavior Checklist, para obter as informações sobre os estados físico, mental e comportamental de cada sujeito. As informações foram fornecidas pelas mães das crianças, na maioria dos casos, e pelos pais dos sujeitos nos casos restantes.
Os investigadores determinaram quantos sujeitos em cada um dos três grupos apresentavam determinados estados físico, mental ou comportamental. Eles encontraram, por exemplo, que enquanto 18% do grupo com Déficit de Atenção e Hiperatividade e Transtorno Desafiante Opositor apresentou queixas somáticas, nenhuma das crianças demonstrou perda no prazer de brincar ou em outras atividades e 50% esteve triste e/ou birrento. Além disso, enquanto 38% dos sujeitos deprimidos apresentou queixas somáticas, como dores de estômago ou dores de cabeça, 58% teve perda no prazer de brincar ou em outras atividades e 98% esteve triste ou birrento.
Os pesquisadores, então, compararam os diferentes tipos de estados reportados pelos três grupos para identificar quais eram mais comuns no grupo deprimido, em um grau estatisticamente significante. Encontraram por exemplo, que o grupo deprimido era significativamente mais propenso do que os outros dois grupos a ser triste/birrento; exibir perda no prazer de brincar ou em outras atividades; experenciar problemas de apetite, peso e sono; exibir baixa energia ou envolver-se em conversas e brincadeiras de morte ou suicídio.
Os cientistas também calcularam o grau de significância destes estados para o grupo das crianças deprimidas. Comparando com o grupo psicologicamente saudável, o grupo deprimido teve 7 vezes mais propensão a exibir sintomas somáticos, 26 vezes mais propensão a se envolver em jogos e brincadeiras violentas, 42 vezes mais propensão para chorar, 75 vezes mais propensão para exibir falta de energia, 115 vezes mais propensão para estar triste e/ou birrento e infinitamente mais propensão a mostrar perda no prazer em brincar e em atividades.
Por último, mas não menos importante, os pesquisadores analisaram os dados para identificar aqueles sintomas que seriam os melhores sinais de depressão em crianças pequenas. Eles encontraram que o marcador mais sensível, isto é, aquele capaz de apontar a depressão sem falso positivo, foi a perda do prazer.
Esses resultados sugerem que quando crianças muito novas estão deprimidas, elas podem expressar sua depressão através de sintomas físicos, como as dores de estômago e de cabeça, mas elas são muito mais propensas a exibir a depressão de forma mais convencional, através de tristeza, irritabilidade, ou perda de prazer. De fato, quando uma criança mais nova pára de obter prazer ao brincar ou em outras atividades, ela “está extremamente propensa a ter uma depressão clínica”. Esse estudo tem implicações importantes para os psiquiatras clínicos em clarear os tipos de sintomas na depressão infantil.
Esta notícia foi traduzida e adaptada pela Plenamente do site: http://pn.psychiatryonline.org
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