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Out, 2009 - Plenamente

Disfunções cognitivas na esquizofrenia e relação com a demora no acesso ao tratamento médico. Adriana de Mello Ayres

Você sabe o que é a esquizofrenia?  

A esquizofrenia é um transtorno psiquiátrico que tem início no final da adolescência ou início da idade adulta, com curso crônico e/ou deteriorativo nas esferas social e ocupacional, gerando enormes custos pessoais e financeiros para os pacientes e seus cuidadores. Alguns sinais iniciais são: alucinações, sintomas negativos (apatia, falta de iniciativa e motivação), retraimento social, tendência ao isolamento, alterações de comportamento e déficits intelectuais globais associados à interrupção dos estudos, mau aproveitamento escolar e privação social. Com a evolução, outros sinais são apresentados, como: agitação, referência à escuta de vozes, sensação de perseguição etc.

Frente a estes sinais, a família ou pessoas que tem contato próximo ao indivíduo passam a se preocupar e buscar ajuda. Com certa freqüência tais sinais não são compreendidos como sintomas de uma doença, mas sim como manifestações espirituais e outras, fazendo com que o início do tratamento médico seja postergado, pois outras formas de ajuda são procuradas antes.

Esta falta de informação relacionada à esquizofrenia tem levado à demora no acesso ao tratamento médico, que tem sido investigada como ponto desfavorável à evolução e prognóstico da doença em vários aspectos, dentre eles, o cognitivo.

Os déficits cognitivos têm sido descritos como as características centrais da esquizofrenia e estudos têm investigado a hipótese do efeito negativo ou tóxico que a exposição aos sintomas psicóticos não-tratados pode ter sobre o funcionamento cognitivo, ou seja, quanto maior a duração da exposição aos sintomas psicóticos não-tratados (DUP), pior o funcionamento cognitivo, que embasa o funcionamento social e ocupacional o que foi comprovado em alguns estudos, porém não em outros.

Estudo realizado com amostra populacional da cidade de São Paulo dedicou-se a investigar tal hipótese e avaliou pacientes de primeiro episódio de esquizofrenia, considerando a demora para o primeiro contato e início do tratamento médico dos sintomas psicóticos. Pacientes com esquizofrenia (n=34) e controles saudáveis (n=70) foram submetidos à ampla bateria de testes neuropsicológicos destinada a avaliar as funções de atenção, velocidade de processamento da informação, memória verbal e visual, funções executivas e funcionamento intelectual global.  Os resultados mostraram que o funcionamento cognitivo sofreu influência negativa da DUP, ou seja, quanto maior o tempo de exposição aos sintomas psicóticos não-tratados, pior o desempenho dos pacientes nas tarefas de memória verbal, funções executivas e capacidade de abstração.

Qual a importância destes achados?

Se lembrarmos que a cognição é um conjunto de capacidades que habilitam os indivíduos a desempenhar uma série de atividades no âmbito pessoal, social e ocupacional, como por exemplo: ler um livro, pensar sobre as coisa e formas como elas ocorrem, aprender novas informações, solucionar problemas, fazer escolhas e conseguir seguir uma conversa, entre outras. Saber que a demora do início do tratamento da esquizofrenia prejudica as funções descritas, nos coloca frente a uma importante evidência: sabermos quais os sinais e sintomas desta doença e informarmos a população para que a busca e início do tratamento sejam mais rápidos, para evitar prognósticos ainda mais desfavoráveis nas diversas esferas, dentre elas, a cognitiva.

Neste sentido, as implicações destes achados são que, os déficits neuropsicológicos devem ser um dos alvos mais importantes de intervenção no tratamento da esquizofrenia, sendo fundamental a precocidade da identificação dos sintomas e início do tratamento médico.
 

Portanto, não se esqueça!
 
A esquizofrenia é uma doença que tem início no final da adolescência ou início da idade adulta.
 
Os critérios diagnósticos utilizados atualmente para o diagnóstico da esquizofrenia têm como base o CID – 10 (OMS, 1993) e o DSM-IV (APA, 1994) que colocam a presença de sintomas característicos por uma porção significativa de tempo durante o período de 1 mês (ou menos, se tratado com sucesso), como:
 
·        Delírios; Alucinação; Discurso desorganizado; Comportamento desorganizado ou catatônico; Sintomas negativos, isto é, embotamento afetivo, alogia ou avolição.
 
·        Acentuada disfunção social ou ocupacional, por uma porção significativa do tempo desde o início da perturbação.
 
·        Prejuízos em uma ou mais áreas importantes de funcionamento, como:
 
-Trabalho;
- Relações interpessoais;
- Ou cuidados pessoais acentuadamente abaixo do nível alcançado antes do início (ou, quando o início dá-se na infância ou adolescência, fracasso em atingir o nível esperado de aquisição interpessoal, acadêmica ou ocupacional).

 
 
Texto elaborado a partir das seguintes referências bibliográficas: 
 

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